INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um recém-nascido com 12 dias de vida, nascido de parto vaginal a termo, sem intercorrências, está internado desde o nascimento por apresentar dificuldade de sucção, tremores, apneia, irritabilidade e hipotonia. A mãe não realizou o pré-natal. Ao exame físico, o recém-nascido apresenta fissuras palpebrais pequenas, lábio superior vermelho e fino, filtro plano e narinas antevertidas; peso, comprimento e perímetro cefálico abaixo do Z escore -3. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética de crânio apresentam resultados normais. Nesse caso, a hipótese diagnóstica mais provável é:
Fendas palpebrais curtas + lábio superior fino + filtro plano + microcefalia = Síndrome Alcoólico-Fetal.
A exposição intrauterina ao álcool causa um espectro de anomalias físicas e neurocognitivas, caracterizadas por fácies típica e restrição de crescimento.
A Síndrome Alcoólico-Fetal (SAF) é a causa evitável mais comum de deficiência intelectual no mundo. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em critérios de crescimento (peso/estatura baixos), dismorfismos faciais específicos e evidência de dano ao sistema nervoso central. No recém-nascido, a síndrome de abstinência neonatal por álcool pode se manifestar com tremores e irritabilidade. A ausência de pré-natal é um fator de risco social importante que deve alertar o pediatra para possíveis exposições a substâncias teratogênicas. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para mitigar os atrasos de desenvolvimento a longo prazo.
Os três sinais clássicos são: 1) Fissuras palpebrais curtas; 2) Filtro labial liso/plano (ausência do sulco entre o nariz e o lábio); 3) Lábio superior fino (vermelho do lábio estreito). A presença desses sinais associada ao atraso de crescimento e alterações do SNC define o diagnóstico clínico.
O álcool é um potente teratógeno que atravessa a barreira placentária. Ele interfere na proliferação e migração neuronal, levando a microcefalia, deficiência intelectual, distúrbios de comportamento, irritabilidade e hipotonia no período neonatal, como visto no caso descrito.
Não existe dose segura estabelecida para o consumo de álcool durante a gravidez. Mesmo o consumo moderado pode causar efeitos no Espectro de Desordens Fetais Alcoólicas (FASD). A recomendação médica atual é a abstinência total durante toda a gestação e planejamento gestacional.
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