Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
A cirurgia gástrica pode resultar em numerosas alterações fisiológicas causadas pela perda da função de reservatório, interrupção do mecanismo esfincteriano do piloro e secção do nervo vago. Dentre essas, pode ocorrer a síndrome da alça eferente. Com relação a essa afecção, assinale a alternativa correta.
Síndrome da alça eferente → complicação pós-cirurgia gástrica, mais comum no 1º mês pós-operatório.
A síndrome da alça eferente é uma complicação mecânica da cirurgia gástrica, caracterizada pela obstrução parcial ou total da alça eferente. Embora possa ocorrer a qualquer momento, é mais frequente no período pós-operatório imediato, geralmente dentro do primeiro mês, devido a edema, aderências ou torção.
A síndrome da alça eferente é uma complicação mecânica que pode ocorrer após cirurgias gástricas que alteram a anatomia do trato gastrointestinal, como gastrectomias com reconstrução tipo Billroth II ou Y de Roux. Sua importância clínica reside na necessidade de reconhecimento precoce para evitar complicações graves como isquemia e perfuração. É crucial para residentes compreenderem a fisiopatologia e o manejo adequado. A fisiopatologia envolve a obstrução da alça eferente, que pode ser causada por aderências, hérnias internas, torção, estenose anastomótica ou intussuscepção. Essa obstrução impede o fluxo de conteúdo biliar e pancreático para o intestino distal, levando ao acúmulo e distensão. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem, como a tomografia computadorizada, que demonstra a alça eferente dilatada e com conteúdo líquido. O tratamento pode variar de conservador para casos leves e transitórios, com descompressão e suporte, a cirúrgico para obstruções completas ou persistentes. A cirurgia visa aliviar a obstrução, seja por lise de aderências, redução de hérnias ou revisão da anastomose. A maioria dos casos se manifesta no primeiro mês de pós-operatório, destacando a importância da vigilância nesse período.
Os sintomas incluem dor abdominal em cólica no quadrante superior direito, náuseas, vômitos biliosos (aliviando a dor) e distensão abdominal. A dor pode ser pós-prandial, aliviada pelo vômito.
O diagnóstico é primariamente clínico, mas exames de imagem como a tomografia computadorizada com contraste oral e venoso são cruciais para confirmar a obstrução e identificar sua causa. A endoscopia pode ser útil, mas nem sempre é diagnóstica em casos de obstrução extrínseca.
O tratamento inicial pode ser conservador em casos leves, mas a intervenção cirúrgica é frequentemente necessária para corrigir a obstrução, especialmente em casos de torção, hérnia interna ou aderências que causam compressão significativa. A endoscopia raramente é curativa para a obstrução mecânica.
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