Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Mulher com antecedente cirúrgico de uma gastrectomia parcial com reconstrução gastrojejunal (tipo Billroth II) por úlcera hemorrágica, realizada há 1 ano, foi encaminhada ao ambulatório com hipótese diagnóstica de uma síndrome pós-gastrectomia. Queixava se de dor predominantemente em andar superior do abdome que piorava significativamente após as refeições. Referia melhora após a ocorrência eventual de vômitos biliosos e em jato sem fazer menção à presença de restos alimentares. Trazia consigo alguns exames laboratoriais que revelavam uma anemia discreta, os eletrólitos e as enzimas hepáticas e pancreáticas estavam normais, a urina não apresentava nenhuma alteração e a pesquisa de sangue oculto nas fezes era negativa. Qual o diagnóstico mais provável?
Gastrectomia Billroth II + dor pós-refeição + vômitos biliosos em jato sem restos alimentares com alívio → Síndrome da Alça Aferente.
A Síndrome da Alça Aferente é uma complicação da gastrectomia com reconstrução Billroth II, caracterizada por obstrução da alça duodenal que leva ao acúmulo de bile e suco pancreático. A dor pós-prandial que melhora com vômitos biliosos em jato, sem alimentos, é o achado clínico mais distintivo.
A gastrectomia parcial com reconstrução Billroth II é um procedimento cirúrgico realizado para tratar diversas condições gástricas, como úlceras hemorrágicas ou neoplasias. No entanto, ela pode estar associada a uma série de complicações pós-operatórias, conhecidas como síndromes pós-gastrectomia. A Síndrome da Alça Aferente é uma dessas complicações, caracterizada pela obstrução da alça duodenal que recebe as secreções biliares e pancreáticas, impedindo seu fluxo adequado para o jejuno. A fisiopatologia envolve o acúmulo de bile e suco pancreático na alça aferente, levando à sua distensão e ao aumento da pressão intraluminal. Isso resulta em dor abdominal, tipicamente no andar superior do abdome, que se intensifica após as refeições, pois a digestão estimula a secreção biliar e pancreática. O sintoma mais distintivo é o vômito bilioso em jato, sem restos alimentares, que proporciona alívio imediato da dor, pois libera o conteúdo acumulado. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e nos sintomas característicos. Exames complementares como a tomografia computadorizada ou a colangiopancreatografia por ressonância magnética podem ajudar a confirmar a obstrução da alça aferente. O tratamento geralmente envolve a correção cirúrgica da obstrução, seja por lise de aderências, ressecção de segmentos estenóticos ou revisão da anastomose. É crucial para residentes reconhecerem essa síndrome para um manejo adequado e precoce, evitando complicações como colangite ou ruptura da alça.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal em andar superior que piora após as refeições e é aliviada por vômitos biliosos em jato, sem a presença de restos alimentares, indicando acúmulo de secreções na alça obstruída.
A diferenciação se baseia nos sintomas específicos: vômitos biliosos sem alimentos que aliviam a dor são característicos da alça aferente, enquanto dumping tardio causa hipoglicemia e gastrite alcalina de refluxo causa dor epigástrica e vômitos biliosos, mas sem o alívio tão marcado após vômitos em jato.
A síndrome ocorre devido à obstrução parcial ou completa da alça aferente (alça duodenal) após uma gastrectomia com reconstrução Billroth II. Essa obstrução impede o fluxo normal de bile e suco pancreático para o jejuno, levando ao acúmulo e distensão da alça, causando dor e vômitos.
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