Síndrome da Alça Aferente: Diagnóstico e Tratamento

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 78 anos de idade, obeso, em pós-operatório tardio de gastrectomia parcial por doença benigna, evoluiu com quadros recorrentes de dor abdominal intensa que melhoravam após vomitar abundantemente uma quantidade de líquido bilioso. Foi realizada uma endoscopia digestiva alta que não mostrou anormalidades na mucosa gástrica nem na anastomose gastrojejunal tipo Billroth II Com relação ao quadro clínico descrito acima e o tratamento da complicação tardia, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O tratamento consiste no uso de antagonistas da somatostatina, por exemplo, octreotida ou lanreotida.
  2. B) O tratamento consiste na conversão da anastomose gastrojejunal Billroth II em Y de Roux.
  3. C) O tratamento consiste na reeducação alimentar com perda de peso e dieta pobre em gorduras.
  4. D) O tratamento consiste na realização de uma anastomose duodeno-gástrica tipo Braun.

Pérola Clínica

Síndrome da alça aferente pós-Billroth II → dor abdominal + vômitos biliosos = conversão para Y de Roux.

Resumo-Chave

A síndrome da alça aferente é uma complicação tardia da gastrectomia Billroth II, caracterizada por estase e distensão da alça aferente com bile e suco pancreático, causando dor e vômitos biliosos. A conversão para Y de Roux é o tratamento definitivo, pois redireciona o fluxo biliar e pancreático, evitando a estase.

Contexto Educacional

A síndrome da alça aferente é uma complicação rara, mas significativa, que pode ocorrer após gastrectomias subtotais com reconstrução tipo Billroth II. Sua importância clínica reside na morbidade que causa, com dor crônica e vômitos, e na necessidade de intervenção cirúrgica para resolução. É crucial para o residente reconhecer essa condição em pacientes com histórico de cirurgia gástrica. A fisiopatologia envolve a obstrução parcial ou total da alça aferente, que leva o conteúdo biliopancreático a se acumular, causando distensão, dor e, eventualmente, refluxo para o estômago e vômitos. O diagnóstico é clínico, baseado na história de dor abdominal pós-prandial aliviada por vômitos biliosos, e confirmado por exames de imagem que demonstrem a dilatação da alça aferente. A endoscopia pode ser útil para excluir outras causas e, por vezes, visualizar a alça. O tratamento da síndrome da alça aferente é predominantemente cirúrgico, com a conversão da anastomose Billroth II para uma anastomose em Y de Roux sendo a técnica de escolha. Essa abordagem redireciona o fluxo biliar e pancreático diretamente para o jejuno distal, prevenindo a estase na alça aferente e resolvendo os sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da síndrome da alça aferente?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal intensa, geralmente pós-prandial, que alivia após vômitos biliosos volumosos e sem alimento. Pode haver perda de peso e icterícia em casos de obstrução completa.

Qual o tratamento definitivo para a síndrome da alça aferente?

O tratamento definitivo é cirúrgico, consistindo na conversão da anastomose gastrojejunal tipo Billroth II para uma anastomose em Y de Roux, que previne a estase e refluxo na alça aferente.

Como diferenciar a síndrome da alça aferente de outras complicações pós-gastrectomia?

A diferenciação é feita pela história clínica (dor aliviada por vômitos biliosos), exames de imagem como tomografia ou ressonância com contraste oral, e endoscopia, que pode mostrar dilatação da alça aferente ou exclusão de outras causas.

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