Síndrome da Alça Aferente: Diagnóstico e Tratamento Pós-Gastrectomia

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 71 anos, tem história de cirurgia de gastrectomia parcial e reconstrução a Billroth II por úlcera gástrica estenosante. Procura atendimento com queixa de episódios de dor abdominal associada a náuseas e distensão, com alívio imediato após vômitos biliares. Em relação ao diagnóstico e tratamento desse paciente, analise as afirmativas a seguir: I - A principal hipótese é de gastrite alcalina e deve ser solicitada impedâncio-Phmetria. II - O quadro clínico é compatível com a síndrome da alça aferente. III - O tratamento para este caso deve ser o de fazer a Bilroth II em um Y de Roux. IV - A principal hipótese é de obstrução da alça eferente, e a melhor conduta é converter para uma Bilroth I. Está(ão) CORRETA(S) as afirmativas:

Alternativas

  1. A) IV apenas.
  2. B) II e III apenas.
  3. C) I apenas.
  4. D) I e IV apenas.

Pérola Clínica

Dor abdominal + vômitos biliares aliviando a dor pós-Billroth II → Síndrome da alça aferente.

Resumo-Chave

A síndrome da alça aferente é uma complicação da gastrectomia Billroth II, caracterizada por estase e distensão da alça duodenal e jejunal proximal, levando a dor abdominal e vômitos biliares que aliviam a dor. O tratamento definitivo é a conversão para uma reconstrução em Y de Roux, que desvia a bile e o suco pancreático para longe do estômago remanescente.

Contexto Educacional

A gastrectomia parcial com reconstrução a Billroth II é um procedimento cirúrgico comum para o tratamento de úlceras gástricas estenosantes ou malignidades. No entanto, essa técnica pode levar a diversas complicações pós-operatórias, sendo a síndrome da alça aferente uma das mais importantes. Essa síndrome ocorre devido à obstrução ou estase da alça jejunal proximal (alça aferente) que drena bile e suco pancreático para o estômago remanescente. O quadro clínico típico da síndrome da alça aferente inclui dor abdominal pós-prandial, náuseas e distensão, com o sintoma patognomônico de vômitos volumosos de bile e suco pancreático que resultam em alívio imediato da dor. Isso ocorre porque o acúmulo de secreções na alça aferente causa distensão e dor, que é aliviada quando o conteúdo é finalmente esvaziado, geralmente por refluxo para o estômago e posterior vômito. O diagnóstico é clínico e pode ser confirmado por exames de imagem como tomografia computadorizada ou endoscopia. O tratamento definitivo para a síndrome da alça aferente é cirúrgico e consiste na conversão da reconstrução de Billroth II para uma reconstrução em Y de Roux. Esta técnica cria uma alça jejunal longa que desvia o fluxo biliar e pancreático para longe do estômago remanescente, eliminando a estase na alça aferente e prevenindo o refluxo biliar. É crucial diferenciar esta síndrome de outras complicações pós-gastrectomia, como a gastrite alcalina (refluxo biliar) ou a obstrução da alça eferente, pois o manejo é distinto para cada uma.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da síndrome da alça aferente?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal pós-prandial, distensão e náuseas, seguidos por vômitos volumosos de bile e suco pancreático que trazem alívio imediato da dor.

Qual a diferença entre a síndrome da alça aferente e a gastrite alcalina?

Na síndrome da alça aferente, os vômitos biliares aliviam a dor, enquanto na gastrite alcalina (refluxo biliar), a dor epigástrica é persistente e os vômitos biliares não trazem alívio significativo.

Por que a reconstrução em Y de Roux é o tratamento para a síndrome da alça aferente?

A reconstrução em Y de Roux desvia o fluxo biliar e pancreático para uma alça jejunal mais distal, impedindo o refluxo para o estômago remanescente e aliviando a estase na alça aferente.

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