Síndrome de Alagille: Colestase Intra-hepática e Diagnóstico

HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

A Síndrome de Alagille é causa de colestase:

Alternativas

  1. A) extra-hepática por atresia de duetos biliares.
  2. B) extra-hepática por coledocolitíase.
  3. C) intra-hepática sem lesão hepatocelular.
  4. D) intra-hepática com lesão hepatocelular.

Pérola Clínica

Síndrome de Alagille = colestase intra-hepática por ductopenia biliar, sem lesão hepatocelular primária.

Resumo-Chave

A Síndrome de Alagille é uma doença genética autossômica dominante caracterizada por ductopenia biliar intra-hepática, levando à colestase. É importante diferenciá-la de outras causas de colestase, pois a lesão hepatocelular primária não é a característica principal, mas sim a redução do número de ductos biliares.

Contexto Educacional

A Síndrome de Alagille é uma doença genética autossômica dominante rara, com uma incidência estimada de 1 em 30.000 a 1 em 70.000 nascidos vivos. É uma das principais causas de colestase crônica na infância e é clinicamente importante devido à sua natureza multissistêmica, afetando o fígado, coração, esqueleto, olhos e rins. A fisiopatologia da Síndrome de Alagille está associada a mutações nos genes JAG1 (mais comum) ou NOTCH2, que codificam proteínas envolvidas na via de sinalização Notch, crucial para o desenvolvimento embrionário. No fígado, essas mutações resultam em ductopenia biliar intra-hepática, ou seja, uma redução no número de ductos biliares, levando ao acúmulo de bile e colestase. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos e histopatológicos, e confirmado por testes genéticos. O tratamento é primariamente de suporte, visando o manejo dos sintomas da colestase, como prurido e xantomas, e a prevenção de complicações como deficiências de vitaminas lipossolúveis e desnutrição. O ácido ursodesoxicólico é frequentemente usado para melhorar o fluxo biliar. Em casos de insuficiência hepática progressiva ou complicações graves, o transplante hepático pode ser uma opção terapêutica definitiva, melhorando significativamente o prognóstico a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da Síndrome de Alagille?

Além da colestase crônica, a Síndrome de Alagille é caracterizada por uma tétrade de manifestações: anomalias cardíacas (estenose da artéria pulmonar), anomalias vertebrais (vértebras em borboleta), anomalias oculares (embriotóxon posterior) e características faciais distintas (fronte proeminente, olhos profundos, queixo pontudo).

Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Alagille?

O diagnóstico é baseado na presença de colestase crônica e pelo menos três das cinco características principais (anomalias cardíacas, vertebrais, oculares, faciais e ductopenia biliar na biópsia hepática). A confirmação genética por mutações nos genes JAG1 ou NOTCH2 é definitiva.

Qual o tratamento para a Síndrome de Alagille?

O tratamento é de suporte e visa aliviar os sintomas da colestase, como prurido, e prevenir deficiências nutricionais (vitaminas lipossolúveis). O ácido ursodesoxicólico é frequentemente utilizado. Em casos de doença hepática progressiva, o transplante hepático pode ser necessário.

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