USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Recém-nascido, 40 semanas de idade gestacional, sexo masculino, nasceu de parto cesárea por falha de indução, Apgar 9/10, peso de 2.950 g. Mãe primigesta, 20 anos, não fez pré-natal e relata ser usuária habitual de drogas ilícitas. O menor está sendo examinado no alojamento conjunto, com 72 horas de vida, e alguns dados do exame clínico estão apresentados nas imagens abaixo. Qual é a conduta indicada face aos dados clínicos apresentados?
RN de mãe usuária de drogas ilícitas → alto risco de SAN e alterações neurológicas → observação e investigação neurológica complementar.
Recém-nascidos expostos a drogas ilícitas no útero, especialmente opiáceos e cocaína, têm alto risco de desenvolver Síndrome de Abstinência Neonatal (SAN) e outras alterações neurológicas. A presença de sinais clínicos sugestivos exige uma investigação neurológica aprofundada para determinar a extensão do comprometimento e guiar o manejo.
A exposição intrauterina a drogas ilícitas representa um sério desafio na neonatologia, com implicações significativas para o desenvolvimento e a saúde do recém-nascido. Mães que não realizam pré-natal e são usuárias de drogas ilícitas expõem seus fetos a uma variedade de substâncias que podem atravessar a barreira placentária, resultando em síndromes de abstinência neonatal (SAN), malformações congênitas, restrição de crescimento intrauterino, prematuridade e diversas disfunções orgânicas, especialmente neurológicas. A Síndrome de Abstinência Neonatal (SAN) é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem no recém-nascido após a interrupção da exposição a drogas que a mãe utilizava durante a gestação. Os sintomas podem variar em gravidade e tipo, dependendo da droga, da dose, da duração da exposição e do metabolismo do RN. Manifestações comuns incluem irritabilidade, tremores, hipertonia, convulsões, choro agudo, distúrbios do sono e problemas gastrointestinais. A avaliação neurológica é fundamental, pois muitas drogas têm neurotoxicidade direta ou indireta. A conduta em recém-nascidos de mães usuárias de drogas envolve uma observação rigorosa no alojamento conjunto ou UTI neonatal, utilizando escores padronizados (como o Finnegan) para monitorar a gravidade da SAN. A investigação neurológica complementar, com exames como ultrassonografia transfontanelar, eletroencefalograma (EEG) ou ressonância magnética, é frequentemente indicada para avaliar possíveis lesões cerebrais, convulsões ou outras anomalias estruturais/funcionais. O tratamento pode incluir medidas de suporte (ambiente calmo, alimentação adequada) e, em casos mais graves, farmacoterapia (morfina, fenobarbital) para controlar os sintomas de abstinência, visando minimizar o sofrimento do RN e otimizar seu desenvolvimento.
A SAN manifesta-se com irritabilidade, tremores, hipertonia, choro excessivo, convulsões, problemas de alimentação (sucção ineficaz), vômitos, diarreia, sudorese, taquipneia e distúrbios do sono.
Opiáceos (heroína, metadona, buprenorfina) são as drogas mais associadas à SAN clássica. Cocaína, anfetaminas, maconha e álcool também podem causar síndromes de abstinência ou efeitos neurológicos no RN.
A investigação neurológica complementar, que pode incluir ultrassonografia transfontanelar, EEG ou ressonância magnética, é crucial para detectar lesões cerebrais, convulsões subclínicas ou outras anomalias estruturais/funcionais decorrentes da exposição intrauterina.
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