Manejo de Pacientes com Abstinência no Pré-Operatório

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente com histórico de dependência química está internado para realizar uma cirurgia ortopédica. Durante a avaliação pré-operatória, é observado que ele apresenta sinais de abstinência. De acordo com as diretrizes brasileiras para o cuidado integral em saúde mental, qual seria a abordagem recomendada?

Alternativas

  1. A) Prosseguir com a cirurgia e tratar os sintomas de abstinência no pós-operatório.
  2. B) Adiar indefinidamente a cirurgia até que o paciente se recupere completamente da dependência.
  3. C) Tratar os sintomas de abstinência e realizar a cirurgia somente após estabilização clínica.
  4. D) Realizar a cirurgia e monitorar os sintomas de abstinência de forma paliativa.

Pérola Clínica

Abstinência ativa no pré-op → Estabilizar clinicamente antes da cirurgia eletiva.

Resumo-Chave

Pacientes em abstinência de substâncias apresentam alto risco de instabilidade autonômica e complicações perioperatórias; a cirurgia deve ser adiada até a estabilização clínica e psiquiátrica.

Contexto Educacional

O manejo perioperatório do paciente dependente químico exige uma avaliação criteriosa dos riscos. A abstinência não tratada é uma contraindicação relativa para cirurgias eletivas. O anestesista e o cirurgião devem trabalhar em conjunto com a equipe de psiquiatria ou medicina interna para titular a sedação e o controle autonômico. Após a estabilização dos sintomas agudos, a cirurgia pode ser realizada com monitorização intensificada, prevendo-se que o manejo da dor no pós-operatório também será mais complexo devido à tolerância a opioides.

Perguntas Frequentes

Por que não operar um paciente em abstinência aguda?

A síndrome de abstinência (especialmente de álcool e benzodiazepínicos) causa um estado hiperadrenérgico grave, com taquicardia, hipertensão, tremores e risco de convulsões ou delirium tremens. Submeter um paciente nesse estado ao estresse cirúrgico e anestésico aumenta exponencialmente o risco de eventos cardiovasculares, instabilidade hemodinâmica e morte perioperatória.

Como deve ser feita a estabilização clínica nesses casos?

A estabilização envolve o suporte hidroeletrolítico, reposição de vitaminas (como tiamina para evitar Wernicke) e o uso de medicações para controle dos sintomas, como benzodiazepínicos em doses tituladas. O objetivo é atingir sinais vitais estáveis, ausência de tremores grosseiros e estado mental calmo antes de considerar o procedimento cirúrgico.

O que dizem as diretrizes de saúde mental sobre o cuidado integral?

As diretrizes brasileiras enfatizam que o cuidado deve ser humanizado e integral. Isso significa que a dependência química não deve ser um impedimento para o tratamento cirúrgico necessário, mas a segurança do paciente exige que a crise (abstinência) seja tratada com prioridade clínica, garantindo que o paciente esteja em sua melhor condição biopsicossocial para enfrentar o ato operatório.

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