CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Um paciente com histórico de dependência química está internado para realizar uma cirurgia ortopédica. Durante a avaliação pré-operatória, é observado que ele apresenta sinais de abstinência. De acordo com as diretrizes brasileiras para o cuidado integral em saúde mental, qual seria a abordagem recomendada?
Abstinência ativa no pré-op → Estabilizar clinicamente antes da cirurgia eletiva.
Pacientes em abstinência de substâncias apresentam alto risco de instabilidade autonômica e complicações perioperatórias; a cirurgia deve ser adiada até a estabilização clínica e psiquiátrica.
O manejo perioperatório do paciente dependente químico exige uma avaliação criteriosa dos riscos. A abstinência não tratada é uma contraindicação relativa para cirurgias eletivas. O anestesista e o cirurgião devem trabalhar em conjunto com a equipe de psiquiatria ou medicina interna para titular a sedação e o controle autonômico. Após a estabilização dos sintomas agudos, a cirurgia pode ser realizada com monitorização intensificada, prevendo-se que o manejo da dor no pós-operatório também será mais complexo devido à tolerância a opioides.
A síndrome de abstinência (especialmente de álcool e benzodiazepínicos) causa um estado hiperadrenérgico grave, com taquicardia, hipertensão, tremores e risco de convulsões ou delirium tremens. Submeter um paciente nesse estado ao estresse cirúrgico e anestésico aumenta exponencialmente o risco de eventos cardiovasculares, instabilidade hemodinâmica e morte perioperatória.
A estabilização envolve o suporte hidroeletrolítico, reposição de vitaminas (como tiamina para evitar Wernicke) e o uso de medicações para controle dos sintomas, como benzodiazepínicos em doses tituladas. O objetivo é atingir sinais vitais estáveis, ausência de tremores grosseiros e estado mental calmo antes de considerar o procedimento cirúrgico.
As diretrizes brasileiras enfatizam que o cuidado deve ser humanizado e integral. Isso significa que a dependência química não deve ser um impedimento para o tratamento cirúrgico necessário, mas a segurança do paciente exige que a crise (abstinência) seja tratada com prioridade clínica, garantindo que o paciente esteja em sua melhor condição biopsicossocial para enfrentar o ato operatório.
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