Abstinência Alcoólica Grave: ECG e Complicações Eletrolíticas

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 35 anos, etilista (1 litro de destilado por dia), internado há 2 dias devido à queda da própria altura com fratura de ulna direita. Apresenta quadro de agitação psicomotora, evoluindo com diaforese, tremores, vômitos, crise convulsiva e urina escurecida. Exame físico: REG, desidratado, agitação psicomotora intensa, tremores de extremidades, sudoreico, sem sinais menígeos ou déficits focais. Tomografia de crânio sem alterações. Qual é o eletrocardiograma esperado deste paciente?

Alternativas

  1. A) Figura A.
  2. B) Figura B.
  3. C) Figura C.
  4. D) Figura D.

Pérola Clínica

Etilista com agitação, tremores, convulsão e urina escura → Delirium Tremens + Rabdomiólise. ECG esperado: QT prolongado por hipomagnesemia/hipocalemia.

Resumo-Chave

A síndrome de abstinência alcoólica grave, como o Delirium Tremens, pode cursar com distúrbios eletrolíticos importantes (hipomagnesemia, hipocalemia) e rabdomiólise. A hipomagnesemia e hipocalemia são causas comuns de prolongamento do intervalo QT no ECG, aumentando o risco de arritmias fatais.

Contexto Educacional

A síndrome de abstinência alcoólica (SAA) é um conjunto de sintomas que ocorrem após a interrupção ou redução abrupta do consumo de álcool em indivíduos dependentes. O Delirium Tremens é a manifestação mais grave da SAA, com alta morbimortalidade se não tratada. É uma condição comum em serviços de emergência, especialmente em grandes centros urbanos, e o reconhecimento e manejo rápido são cruciais para residentes. A fisiopatologia da SAA envolve a hiperatividade do sistema nervoso central devido à interrupção do efeito depressor do álcool, resultando em aumento da atividade glutamatérgica e diminuição da atividade GABAérgica. Complicações como rabdomiólise (evidenciada pela urina escurecida e elevação de enzimas musculares) e distúrbios eletrolíticos (hipomagnesemia, hipocalemia, hipofosfatemia) são frequentes. A hipomagnesemia e a hipocalemia, em particular, podem levar a alterações eletrocardiográficas como o prolongamento do intervalo QT, que predispõe a arritmias ventriculares graves, como a Torsades de Pointes. O manejo da SAA inclui sedação com benzodiazepínicos, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e nutricionais (especialmente tiamina para prevenir encefalopatia de Wernicke) e monitoramento cardíaco. O ECG é uma ferramenta essencial para identificar alterações como o QT prolongado, que demandam correção imediata dos eletrólitos. A compreensão dessas complicações e a capacidade de interpretá-las são fundamentais para o residente que atua em pronto-socorro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do Delirium Tremens?

O Delirium Tremens é a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica, caracterizada por agitação psicomotora intensa, alucinações (visuais, táteis), desorientação, tremores generalizados, sudorese profusa, taquicardia, hipertensão e febre.

Por que a rabdomiólise pode ocorrer em pacientes etilistas com abstinência?

A rabdomiólise em etilistas pode ser desencadeada por imobilização prolongada durante o período de intoxicação, convulsões, desidratação severa e deficiências nutricionais, levando à lesão muscular e liberação de mioglobina, que causa a urina escurecida.

Quais distúrbios eletrolíticos são comuns na abstinência alcoólica e como afetam o ECG?

Hipomagnesemia e hipocalemia são muito comuns. A hipomagnesemia pode causar prolongamento do intervalo QT, arritmias ventriculares e potencializar a hipocalemia. A hipocalemia também prolonga o QT, achata a onda T e pode gerar onda U proeminente, aumentando o risco de Torsades de Pointes.

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