INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Um homem com 36 anos de idade, alcoolista crônico, ao ser atendido em um hospital, foi submetido a laparotomia exploradora, em razão de úlcera gástrica pré-pilórica perfurada. Realizaram-se biópsias das bordas da úlcera, rafia da lesão e limpeza da cavidade. Foi iniciada antibioticoterapia com ciprofloxacino e metronidazol e reposição hidroeletrolítica adequada. No 1º dia pós-operatório, evoluiu com taquicardia (frequência cardíaca = 123 bpm) associada a agitação psicomotora, confusão mental, tremores de extremidades e dor abdominal leve à palpação profunda. Nesse caso, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta indicada são:
Taquicardia + Agitação + Tremores no 1º-3º PO em etilista → Abstinência Alcoólica.
A síndrome de abstinência alcoólica no pós-operatório é uma emergência médica que exige sedação com benzodiazepínicos e profilaxia de Encefalopatia de Wernicke com tiamina.
O manejo do paciente etilista em cirurgia de urgência (como úlcera perfurada) é desafiador. A interrupção abrupta do álcool desequilibra os sistemas GABAérgico (inibitório) e Glutamatérgico (excitatório), levando à hiperexcitabilidade do SNC. O tratamento visa restaurar o tônus GABAérgico com benzodiazepínicos titulados pela gravidade dos sintomas (frequentemente usando a escala CIWA-Ar). A vigilância para complicações como convulsões e arritmias é essencial durante as primeiras 72 horas de pós-operatório.
Os sintomas leves de abstinência (tremores, ansiedade, taquicardia) geralmente começam de 6 a 24 horas após a última dose de álcool. Alucinações alcoólicas podem ocorrer em 12 a 48 horas. O quadro mais grave, o Delirium Tremens, caracterizado por desorientação profunda, agitação extrema e instabilidade autonômica, tipicamente se manifesta entre 48 a 96 horas após a cessação do consumo. No pós-operatório, o estresse cirúrgico pode acelerar ou mascarar esses sintomas.
Em pacientes etilistas com depleção de tiamina (vitamina B1), a administração de carga de glicose sem suplementação prévia de tiamina pode precipitar a Encefalopatia de Wernicke. Isso ocorre porque a tiamina é um cofator essencial para o metabolismo oxidativo da glicose; o aumento da demanda metabólica consome as reservas mínimas restantes, levando a dano neuronal agudo em áreas como os corpos mamilares e o tálamo.
Diazepam e Lorazepam são os mais utilizados. O Diazepam tem meia-vida longa e metabólitos ativos, o que proporciona uma 'autodesmame' mais suave, mas pode acumular em idosos ou pacientes com insuficiência hepática. Nesses casos (cirrose ou hepatite alcoólica), o Lorazepam ou Oxazepam são preferíveis por não dependerem do metabolismo oxidativo hepático (fase I), sendo conjugados diretamente (fase II) e excretados.
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