Abstinência Alcoólica: Manejo da Convulsão e Delirium

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 36 anos de idade apresenta quadro de tosse produtiva e febre há 2 dias sendo feito o diagnóstico de pneumonia. É etilista pesado e tabagista de 20 maços-ano, sem outras comorbidades conhecidas. Para o melhor tratamento da pneumonia, o paciente foi internado em uma enfermaria do hospital. Com 12 horas de internação hospitalar evoluiu com quadro de agitação psicomotora, tremores, taquicardia, sudorese, insônia e apresentou um episódio de convulsão tônico-clônica generalizada com duração menor do que 1 minuto e pós-ictal rápido. Ao exame clínico encontra-se em regular estado geral, afebril e levemente agitado. Glicemia capilar de 75 mg/dL. Levando-se em consideração a principal hipótese diagnóstica para o quadro de agitação psicomotora e escape convulsivo apresentados pelo paciente, assinale a alternativa com a medicação melhor indicada para o tratamento desta intercorrência clínica.

Alternativas

  1. A) Glicose.
  2. B) Gluconato de cálcio.
  3. C) Fenobarbital.
  4. D) Haloperidol.
  5. E) Diazepam.

Pérola Clínica

Abstinência alcoólica grave com convulsão/delirium → Benzodiazepínicos (Diazepam) são primeira linha.

Resumo-Chave

O quadro clínico de agitação, tremores, taquicardia, sudorese, insônia e convulsão em um etilista pesado, após 12 horas de internação, é altamente sugestivo de síndrome de abstinência alcoólica. Benzodiazepínicos são a medicação de escolha para controlar os sintomas e prevenir complicações graves como o delirium tremens e convulsões.

Contexto Educacional

A síndrome de abstinência alcoólica é uma condição comum e potencialmente grave em pacientes etilistas que interrompem ou reduzem abruptamente o consumo de álcool. Sua prevalência é alta em hospitais gerais, especialmente em enfermarias e unidades de emergência, tornando seu reconhecimento e manejo essenciais para residentes. A gravidade varia desde tremores e ansiedade até convulsões e delirium tremens, com mortalidade significativa se não tratada adequadamente. A fisiopatologia envolve a hiperatividade do sistema nervoso central devido à interrupção do efeito depressor do álcool sobre os receptores GABA e à superatividade dos receptores NMDA. O diagnóstico é clínico, baseado na história de etilismo e nos sintomas característicos. É fundamental suspeitar da condição em qualquer paciente etilista internado que desenvolva agitação, tremores ou convulsões, especialmente nas primeiras 24-72 horas de abstinência. O tratamento de escolha são os benzodiazepínicos, como Diazepam ou Lorazepam, que atuam potencializando a ação do GABA e controlando a hiperatividade neuronal. A dose deve ser individualizada e titulada para controlar os sintomas. O prognóstico é bom com tratamento precoce e adequado, mas atrasos podem levar a complicações graves e aumento da morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da síndrome de abstinência alcoólica grave?

Os sinais e sintomas incluem agitação psicomotora, tremores, taquicardia, sudorese, insônia, alucinações e, em casos graves, convulsões tônico-clônicas generalizadas e delirium tremens. Geralmente surgem 6 a 48 horas após a última dose de álcool.

Qual a conduta inicial para um paciente com convulsão por abstinência alcoólica?

A conduta inicial é garantir a segurança do paciente e administrar benzodiazepínicos, como o Diazepam ou Lorazepam, por via intravenosa. A dose deve ser titulada até o controle dos sintomas, visando prevenir novas convulsões e a progressão para delirium tremens.

Como diferenciar a convulsão por abstinência alcoólica de outras causas de convulsão?

A história de etilismo pesado e o surgimento dos sintomas após um período de abstinência são cruciais. A exclusão de outras causas como hipoglicemia, trauma craniano ou infecções do SNC é importante, mas a apresentação clínica é bastante sugestiva.

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