Investigação de Diarreia Crônica e Síndrome de Má Absorção

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Um paciente com 25 anos de idade é encaminhado pela Unidade de Saúde da Família do seu bairro para avaliação no Ambulatório de Clínica Médica por apresentar quadro de diarreia não acompanhada de cólicas há 5 meses, com três a quatro evacuações ao dia, em grande quantidade, sem presença de muco ou sangue. O paciente refere perda de 15 kg nesse período, sem que tenha modificado a sua dieta ou apresentado mudança de apetite. O paciente trouxe à consulta cinco exames protoparasitológicos das fezes realizados nesse período, sendo que o primeiro demonstrou a presença de tricocéfalos, o que motivou tratamento, por duas vezes, com albendazol durante 3 dias, sem melhora do quadro. O paciente apresentou igualmente hemogramas que demonstravam anemia hipocrômica, microcítica, com anisocitose, sem alteração nas séries branca ou megacariocítica. A investigação complementar indicada e o diagnóstico são:

Alternativas

  1. A) Realizar pesquisa (dosagem) de gordura fecal e, se anormal, considerar a realização de biópsia de intestino delgado pela possibilidade de doença celíaca.
  2. B) Realizar tomografia computadorizada de abdome para avaliar a ocorrência de calcificações pancreáticas e determinar o diagnóstico de pancreatite crônica.
  3. C) Realizar colonoscopia com biópsias de intestino devido à possibilidade de doença inflamatória intestinal, como a retocolite ulcerativa.
  4. D) Realizar dosagens de hormônio estimulador da tireoide (TSH) e de T4 livre para avaliar a possibilidade de hipertireoidismo.

Pérola Clínica

Diarreia crônica + perda de peso + anemia microcítica → Pensar em Má Absorção (Doença Celíaca).

Resumo-Chave

A presença de diarreia volumosa, perda ponderal expressiva e anemia ferropriva sugere má absorção intestinal, exigindo pesquisa de gordura fecal e biópsia duodenal.

Contexto Educacional

A investigação da diarreia crônica (duração > 4 semanas) exige uma abordagem sistemática para diferenciar causas funcionais de orgânicas. A perda de peso de 15kg e a anemia são 'sinais de alerta' que obrigam a investigação de doenças estruturais ou absortivas. A anemia microcítica e hipocrômica em um homem jovem com diarreia é um forte indício de má absorção de ferro no duodeno, local primário de acometimento da Doença Celíaca. O diagnóstico diferencial inclui a Doença de Crohn, insuficiência pancreática exócrina e supercrescimento bacteriano. No entanto, a ausência de dor abdominal (cólicas) e a característica volumosa das fezes direcionam o raciocínio para o intestino delgado proximal. A biópsia intestinal via endoscopia digestiva alta permanece como o padrão para confirmar a atrofia vilosa característica da doença celíaca.

Perguntas Frequentes

Quais sinais sugerem diarreia de origem no intestino delgado?

Diarreias originadas no intestino delgado costumam ser volumosas, com frequência de 3 a 4 vezes ao dia, sem muco, pus ou sangue, e frequentemente associadas a sinais de má absorção, como perda de peso significativa, esteatorreia (gordura nas fezes) e deficiências nutricionais (anemia por falta de ferro, B12 ou ácido fólico).

Como é feita a pesquisa de gordura fecal?

O padrão-ouro é o teste de Van de Kamer, que exige a coleta de fezes por 72 horas sob dieta controlada de gordura. Alternativamente, o teste do Sudão III (qualitativo) ou a esteatócrito podem ser usados como triagem rápida para confirmar a esteatorreia, indicando insuficiência pancreática ou doença absortiva intestinal.

Por que suspeitar de Doença Celíaca neste caso?

O paciente apresenta a tríade clássica de má absorção: diarreia crônica, emagrecimento importante (15kg) e anemia ferropriva (microcítica/hipocrômica). A falha no tratamento para parasitoses e a idade jovem reforçam a necessidade de investigar enteropatias glúten-sensíveis através de sorologia (anti-transglutaminase) e biópsia de duodeno.

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