IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Menino de 14 anos de idade é levado ao pronto-socorro pelos pais, após ter perdido a consciência em um teste para o time de basquete da escola. O adolescente relata sintomas de vista escurecida, sudorese profusa e palpitações momentos antes de perder a consciência, tendo queda da própria altura. Pais relatam que o episódio durou poucos minutos. Não apresentou hipertonia de membros ou abalos corporais durante o episódio. Não tem comorbidades, a não ser relato de sedentarismo. Ao exame físico, apresenta FC 80 bpm, com exame cardíaco normal, extremidades aquecidas, pulsos periféricos palpáveis e cheios. Exame neurológico com escala de coma de Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem déficits motores ou sensoriais aparentes. Qual a conduta inicial?
Adolescente com síncope após exercício, sintomas prodrômicos e sem abalos → Síncope vasovagal provável; conduta inicial: ECG.
O quadro de síncope em adolescente, precedido por sintomas vasovagais (vista escurecida, sudorese, palpitações) e sem abalos, é altamente sugestivo de síncope vasovagal. Contudo, a conduta inicial em qualquer síncope é sempre um eletrocardiograma (ECG) para excluir causas cardíacas graves.
A síncope, definida como uma perda transitória da consciência devido à hipoperfusão cerebral global, de início rápido, curta duração e recuperação espontânea completa, é uma queixa comum na adolescência. Embora a maioria dos casos seja de origem benigna, como a síncope vasovagal, é imperativo descartar causas cardíacas, que podem ser potencialmente fatais. O quadro clínico apresentado pelo adolescente, com sintomas prodrômicos como vista escurecida, sudorese profusa e palpitações, seguido de perda de consciência breve e sem abalos corporais significativos, é altamente sugestivo de síncope vasovagal. Este tipo de síncope é desencadeado por uma resposta autonômica exagerada, levando à bradicardia e/ou vasodilatação periférica, resultando em hipotensão e hipoperfusão cerebral. No entanto, a conduta inicial para qualquer episódio de síncope, especialmente em jovens, deve incluir um eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações. O ECG é uma ferramenta simples e não invasiva, mas crucial para identificar arritmias, distúrbios de condução, síndromes de QT longo ou curto, ou outras cardiopatias estruturais que podem ser a causa da síncope e indicar um risco de morte súbita. Somente após a exclusão de causas cardíacas graves, pode-se prosseguir com a investigação de causas benignas, como a vasovagal, ou outras etiologias neurológicas ou metabólicas.
Os sintomas prodrômicos incluem tontura, vista escurecida, sudorese, náuseas, palidez, palpitações e sensação de calor, que ocorrem momentos antes da perda de consciência.
O eletrocardiograma (ECG) é fundamental para rastrear causas cardíacas de síncope, como arritmias, canalopatias ou cardiopatias estruturais, que podem ser graves e potencialmente fatais, mesmo em pacientes jovens.
A síncope geralmente tem pródromos vasovagais, perda de consciência breve, sem abalos tônicos-clônicos ou com abalos leves e curtos, e recuperação rápida. Crises convulsivas tendem a ter pródromos diferentes (aura), abalos mais intensos e prolongados, e período pós-ictal mais longo.
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