Síncope Vasovagal em Adolescentes: Diagnóstico e Manejo

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Menino, 12a, previamente hígido, vem acompanhado pela mãe que relata que há 8 dias o filho teve perda de consciência. O episódio aconteceu em uma gincana e o desafio que participava era ficar em pé sem se mexer. Desmaiou, após ficar cerca de meia hora em pé, com duração de trinta segundos e recuperação da consciência, apresentava-se pálido e sudoreico. No Pronto Atendimento, estava recuperado, com exame físico e exames de sangue normais. Nega jejum e qualquer antecedente pessoal ou familiar de morte súbita, doenças cardíacas ou neurológica. Exame físico na consulta: sem alterações.O DIAGNÓSTICO E A CONDUTA SÃO:

Alternativas

  1. A) Síncope neuropsiquiátrica; tomografia computadorizada de crânio.
  2. B) Síncope metabólica; glicemia de jejum e eletrólitos.
  3. C) Síncope autonômica; eletrocardiograma e teste de inclinação ortostática se recidiva.
  4. D) Síncope cardiogêncica; eletrocardiograma e ecocardiograma.

Pérola Clínica

Síncope em adolescente após ortostatismo prolongado, com pródromos e recuperação rápida → Síncope vasovagal (autonômica).

Resumo-Chave

A síncope vasovagal é a causa mais comum de perda transitória da consciência em crianças e adolescentes, frequentemente desencadeada por ortostatismo prolongado, estresse emocional ou dor. A presença de pródromos (palidez, sudorese) e a recuperação rápida são características. O ECG é essencial para excluir causas cardíacas, mas o teste de inclinação ortostática é reservado para casos atípicos ou recorrentes.

Contexto Educacional

A síncope é definida como uma perda transitória da consciência e do tônus postural, de início rápido, curta duração e recuperação espontânea e completa, devido à hipoperfusão cerebral global. Em crianças e adolescentes, a síncope vasovagal (ou neuromediada) é a causa mais comum, representando até 80% dos casos. É uma condição benigna, mas que gera grande ansiedade nos pacientes e familiares, sendo crucial o diagnóstico diferencial com causas mais graves. A fisiopatologia da síncope vasovagal envolve uma resposta reflexa exagerada do sistema nervoso autônomo, levando à vasodilatação periférica e/ou bradicardia, resultando em queda da pressão arterial e consequente hipoperfusão cerebral. Os gatilhos comuns incluem ortostatismo prolongado, ambientes quentes, desidratação, estresse emocional, dor ou visão de sangue. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história detalhada do episódio e na presença de pródromos. O exame físico e os exames laboratoriais são geralmente normais. O manejo da síncope vasovagal é principalmente educacional, com orientação sobre os gatilhos, medidas de contra-pressão (cruzar as pernas, apertar as mãos) e aumento da ingestão de líquidos e sal. O eletrocardiograma é obrigatório para excluir causas cardíacas. O teste de inclinação ortostática pode ser útil em casos selecionados. O prognóstico é excelente, com baixa taxa de complicações graves, mas as recorrências são comuns, exigindo reforço das medidas preventivas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síncope vasovagal?

A síncope vasovagal geralmente é precedida por pródromos como palidez, sudorese, náuseas, tontura e visão turva. O episódio de perda de consciência é breve, e a recuperação é espontânea e completa, sem confusão pós-ictal prolongada, diferenciando-a de convulsões.

Quando o teste de inclinação ortostática é indicado na investigação de síncope?

O teste de inclinação ortostática (Tilt-table test) é indicado para confirmar o diagnóstico de síncope vasovagal em casos atípicos, recorrentes ou quando há dúvida diagnóstica, após a exclusão de causas cardíacas e neurológicas mais graves com exames iniciais como o ECG.

Qual a importância do eletrocardiograma na avaliação inicial de síncope?

O eletrocardiograma (ECG) é um exame fundamental na avaliação inicial de qualquer síncope, pois permite identificar arritmias, distúrbios de condução ou outras anormalidades cardíacas que podem ser a causa da síncope e indicar um prognóstico mais grave, como a síndrome do QT longo ou cardiomiopatias.

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