Síncope Vasovagal: Diagnóstico e Manejo em Adolescentes

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Adolescente do sexo feminino de 18 anos foi encaminhada ao pronto-socorro por quadro de síncope há 2 horas. Relata que estava de pé por muito tempo durante uma apresentação do colégio, em ambiente descoberto, no verão, quando iniciou um quadro de vertigem, visão embaçada, sudorese, tendo apresentado queda da própria altura no solo. Lembra-se de ter sentido os referidos sintomas, porém não se recorda de ter caído ao solo. Negou dor torácica, dispneia e palpitações. Nega história familiar positiva para doenças cerebrovasculares ou coronarianas. Exame físico sem muitos achados importantes, a não ser uma alteração de pressão arterial aferida em pé e deitada (valores, respectivamente, de 80 x 50 mmHg e 110 x 60 mmHg). Eletrocardiograma demonstra ritmo sinusal, regular, sem alterações sugestivas de isquemia, com intervalo QT corrigido de 450ms. A respeito do quadro, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A paciente apresenta 2 pontos segundo o Escore de OESIL (Osservatorio Epidemiologico sulla suncope nel Lazio), o que demanda internação hospitalar para avaliação de causa e realização de ecocardiograma.
  2. B) Pode-se orientar esta paciente à realização de manobras de contrapressão para evitar repetição do quadro, manter-se hidratada e evitar situações semelhantes.
  3. C) A paciente apresenta um prolongamento do intervalo QT, devendo investigar, além de alterações eletrolíticas, síndrome de QT longo com testes genéticos.
  4. D) A paciente apresentou um quadro de síncope englobada dentre o grupo das síncopes ortostáticas, e não do grupo das síncopes reflexas (também chamadas de neuromediadas)

Pérola Clínica

Síncope vasovagal: pródromos, desencadeantes (ortostatismo prolongado, calor), e melhora com manobras de contrapressão e hidratação.

Resumo-Chave

A síncope vasovagal é a causa mais comum de síncope em jovens, frequentemente desencadeada por estresse ortostático, calor ou emoções. Caracteriza-se por sintomas prodrômicos como vertigem, sudorese e visão embaçada, e o manejo inclui evitar gatilhos, hidratação e manobras de contrapressão.

Contexto Educacional

A síncope é uma perda transitória da consciência devido à hipoperfusão cerebral global, de início rápido, curta duração e recuperação espontânea e completa. A síncope vasovagal, ou neuromediada, é a forma mais comum, especialmente em adolescentes e adultos jovens, e é desencadeada por fatores como ortostatismo prolongado, calor, estresse emocional ou dor. É crucial reconhecer os pródromos para que o paciente possa adotar medidas preventivas. O diagnóstico da síncope vasovagal é clínico, baseado na história detalhada dos sintomas prodrômicos, gatilhos e ausência de achados preocupantes no exame físico e ECG. A hipotensão postural pode ser um achado, mas a síncope vasovagal se diferencia da síncope ortostática pura pela presença dos pródromos e pela resposta reflexa. O intervalo QT corrigido deve ser avaliado para excluir causas arrítmicas, mas valores normais como 450ms em mulheres não indicam patologia. O tratamento e a prevenção focam na educação do paciente sobre os gatilhos, manutenção da hidratação e ingestão de sal, e o uso de manobras de contrapressão (cruzamento das pernas, contração muscular) ao sentir os pródromos. Em casos refratários, podem ser consideradas outras abordagens, mas para a maioria, medidas comportamentais são eficazes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síncope vasovagal?

A síncope vasovagal é precedida por pródromos como tontura, vertigem, sudorese, náuseas, palidez e visão embaçada. O paciente pode relatar fraqueza e, ao perder a consciência, pode haver amnésia do evento da queda.

Como as manobras de contrapressão ajudam a prevenir a síncope?

As manobras de contrapressão, como cruzar as pernas, contrair os músculos das pernas e glúteos, ou apertar as mãos, aumentam o retorno venoso e a pressão arterial, ajudando a manter a perfusão cerebral e abortar o episódio sincopal.

Qual a diferença entre síncope vasovagal e síncope ortostática?

A síncope vasovagal é uma síncope reflexa mediada neuralmente, com resposta autonômica inadequada. A síncope ortostática é uma queda da pressão arterial ao se levantar, geralmente por disfunção autonômica ou hipovolemia, sem a mesma resposta reflexa exagerada da vasovagal.

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