Síncope Vasovagal: Diagnóstico e Características Clínicas

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, do sexo feminino, 42 anos de idade, tem hipotireoidismo e diabetes melito do tipo 2. Faz uso de levotiroxina 100 μg/dia e metformina 850 mg duas vezes ao dia. Comparece no departamento de emergência por desmaio. A anamnese realizada com a paciente e sua esposa identificou que houve sudorese e sensação intensa de calor 5 minutos após o término de treino na academia, quando, em seguida, avisou que estava se sentindo mal e perdeu consciência com queda amparada pela esposa. Retornou à consciência após cerca de um minuto, dialogando normalmente e com sensação de cansaço. Ao exame físico, apresentou PA de 106x64 mmHg, FC de 58 bpm, FR de 19 ipm, saturação de oxigênio 97%; exame cardiopulmonar e abdome sem alterações; extremidades sem edema e com perfusão adequada. Foi realizado o seguinte eletrocardiograma:Com base nas informações apresentadas, assinale a alternativa que indica o diagnóstico correto.

Alternativas

  1. A) Hipoglicemia.
  2. B) Crise epiléptica.
  3. C) Síncope vasovagal.
  4. D) Síndrome de Wolff-Parkinson-White.

Pérola Clínica

Síncope vasovagal: pródromos autonômicos (sudorese, calor), gatilho (exercício), recuperação rápida.

Resumo-Chave

A síncope vasovagal é a causa mais comum de síncope, caracterizada por perda transitória da consciência devido a disfunção autonômica. Pródromos como sudorese, calor e náuseas são comuns, e a recuperação é geralmente rápida e completa, sem confusão pós-ictal, diferenciando-a de crises epilépticas.

Contexto Educacional

A síncope vasovagal, também conhecida como síncope neurocardiogênica, é a forma mais comum de perda transitória da consciência, representando cerca de 50% de todos os casos de síncope. É causada por uma resposta reflexa inadequada que leva à vasodilatação periférica e/ou bradicardia, resultando em hipotensão e hipoperfusão cerebral transitória. Embora geralmente benigna, pode causar traumas secundários devido à queda e gerar grande ansiedade nos pacientes e familiares. É crucial para o residente saber reconhecer seus sinais e sintomas para um diagnóstico correto e tranquilização do paciente. A fisiopatologia envolve uma ativação paradoxal do sistema nervoso autônomo, onde estímulos estressores ou posturais ativam reflexos vagais que resultam em bradicardia e vasodilatação. Os pródromos são característicos e incluem sudorese, palidez, náuseas, tontura e sensação de calor, que ocorrem minutos antes da perda de consciência. A recuperação é tipicamente rápida e completa, sem período de confusão pós-ictal prolongado, o que a diferencia de crises epilépticas. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história detalhada do episódio, incluindo gatilhos, pródromos e características da recuperação. O manejo da síncope vasovagal geralmente envolve medidas não farmacológicas, como evitar gatilhos conhecidos, manter boa hidratação, aumentar a ingestão de sal (se não houver contraindicações), e realizar manobras de contrapressão física (ex: cruzar as pernas, apertar as mãos) durante os pródromos para aumentar o retorno venoso e a pressão arterial. Em casos refratários e graves, podem ser considerados tratamentos farmacológicos ou, raramente, implante de marca-passo. É fundamental educar o paciente sobre a natureza benigna da condição e as estratégias de prevenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais pródromos da síncope vasovagal?

Os pródromos da síncope vasovagal são sintomas que antecedem a perda de consciência e incluem sudorese, sensação de calor, náuseas, tontura, palidez, visão turva ou em túnel e palpitações. Eles são indicativos de ativação autonômica e ajudam a diferenciar a síncope de outras condições.

Como diferenciar síncope vasovagal de crise epiléptica?

A síncope vasovagal geralmente tem pródromos autonômicos, é de curta duração e a recuperação é rápida e completa, sem confusão pós-ictal. Crises epilépticas, por outro lado, podem ter aura, são frequentemente mais prolongadas, com movimentos tônico-clônicos mais intensos e confusão mental pós-ictal.

Quais são os gatilhos comuns para a síncope vasovagal?

Os gatilhos comuns incluem estresse emocional, dor intensa, ambientes quentes e lotados, ortostatismo prolongado, micção, defecação, tosse e, como no caso da questão, esforço físico intenso seguido de repouso, que pode levar a um acúmulo de sangue nas extremidades inferiores e diminuição do retorno venoso.

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