PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um jovem de 21 anos, saudável, atleta amador, desmaia enquanto jogava futebol com amigos. A síncope ocorreu durante uma corrida intensa e, segundo testemunhas, ele caiu no chão sem sinais de convulsão ou trauma. Ele recuperou a consciência completamente após cerca de 1 minuto e não teve confusão mental após o episódio. Não possui histórico prévio de problemas cardíacos, e exames de rotina anteriores sempre foram normais. No atendimento de emergência, o paciente está consciente e alerta, sem sinais de déficit neurológico. Os sinais vitais estão normais, sem febre, com pressão arterial de 120/80 mmHg e frequência cardíaca de 80 bpm. Qual deve ser a conduta imediata no manejo deste paciente?
Síncope durante o esforço físico = Investigação hospitalar imediata para descartar causas cardíacas estruturais.
Síncope em jovens durante atividade física intensa é um sinal de alerta para arritmias malignas ou cardiopatias estruturais, exigindo internação e exames complementares.
A síncope é definida como perda transitória da consciência por hipoperfusão cerebral global. Em atletas, a diferenciação entre síncope reflexa (benigna) e cardíaca (potencialmente fatal) é crucial. A Cardiomiopatia Hipertrófica é a principal causa de morte súbita em atletas nos EUA, enquanto a DAVD é prevalente em certas regiões da Europa. O manejo no pronto-socorro deve priorizar a estabilização e a estratificação de risco. Pacientes com síncope de esforço não devem receber alta sem uma avaliação cardiológica completa, pois o primeiro episódio de síncope pode ser o único aviso antes de um evento de morte súbita cardíaca.
A síncope que ocorre durante o exercício (em oposição à síncope pós-esforço imediato) é um forte preditor de causas cardíacas potencialmente fatais. Durante o esforço, o aumento do tônus simpático e da demanda miocárdica pode desencadear arritmias ventriculares em corações com substrato patológico, como na Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH), Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito (DAVD) ou anomalias de artérias coronárias. Diferente da síncope vasovagal, que é benigna e geralmente ocorre em repouso ou após o exercício, a síncope intra-esforço sugere obstrução mecânica ao fluxo ou instabilidade elétrica grave.
A investigação inicial deve incluir obrigatoriamente um Eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações, buscando sinais de hipertrofia ventricular, ondas Q patológicas, pré-excitação (WPW), prolongamento do intervalo QT ou padrão de Brugada. O Ecocardiograma é fundamental para avaliar a anatomia cardíaca, descartando CMH (causa número 1 de morte súbita em atletas jovens) e valvulopatias. Dependendo da suspeita, o teste ergométrico (para avaliar comportamento da PA e arritmias no esforço) e o Holter de 24h podem ser necessários para complementar a avaliação diagnóstica.
A internação é indicada na presença de 'red flags' ou critérios de alto risco, como: síncope durante o esforço, síncope em posição supina, dor torácica associada, palpitações precedendo o desmaio, história familiar de morte súbita prematura, ou achados anormais no ECG/exame físico (sopros cardíacos). No caso de um atleta jovem com síncope intra-esforço, o risco de um evento arrítmico recorrente ou morte súbita justifica a monitorização hospitalar contíniva até que causas estruturais e elétricas sejam devidamente excluídas.
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