Síncope Neuromediada em Adolescentes: Diagnóstico e Manejo

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Adolescente, sexo masculino, 13 anos de idade, é tra- zido por um acompanhante da escola após “desmaiar” durante uma competição com os colegas para ver quem permanecia em pé parado por mais tempo, sem se me- xer, uma “brincadeira” transmitida em vídeo por uma rede social do adolescente. Um ajudante da coordenadoria da escola viu o garoto “desmaiando”, “perdendo a consciência” e “caindo no chão”. Imediatamente, os colegas o sacudiram e ele foi socorrido por esse funcionário, com retomada completa da consciência em cerca de “segundos”. Não se observou nenhum trauma na cabeça durante a queda. Levantou-se sozinho, disse que estava bem, mas foi trazido ao médico mesmo assim. Ficou pálido durante a queda segundo descrição de quem o viu. No pronto atendimento, estava bem, Glasgow 15, orientado e bem comunicativo. Nenhuma alteração foi percebida no seu exame físico.O diagnóstico mais provável e a conduta imediata serão:

Alternativas

  1. A) síncope psicogênica; orientação e encaminhamento para terapia psicológica.
  2. B) síncope cardiogênica; realização de um ecocardiograma.
  3. C) síncope neuromediada; alta do pronto atendimento com orientações preventivas.
  4. D) síncope metabólica; realização de um teste de tolerância oral à glicose.

Pérola Clínica

Síncope em adolescente por ortostatismo prolongado, com pródromo e recuperação rápida → síncope neuromediada (vasovagal).

Resumo-Chave

A síncope neuromediada, ou vasovagal, é a causa mais comum de síncope em adolescentes e adultos jovens. É frequentemente desencadeada por ortostatismo prolongado, estresse emocional ou dor, e caracterizada por pródromos (palidez, tontura) e recuperação rápida e completa da consciência. O exame físico e neurológico é normal após o evento.

Contexto Educacional

A síncope é uma perda transitória da consciência e do tônus postural, de início rápido, curta duração e recuperação espontânea completa, devido à hipoperfusão cerebral global transitória. A síncope neuromediada, ou vasovagal, é a forma mais comum, especialmente em crianças e adolescentes, e é geralmente benigna. É crucial diferenciá-la de outras causas mais graves de perda de consciência. O quadro clínico típico da síncope neuromediada envolve um gatilho (neste caso, ortostatismo prolongado em uma competição), pródromos como palidez, sudorese, náuseas ou tontura, e uma recuperação rápida e completa da consciência, sem período pós-ictal prolongado ou trauma significativo. O exame físico e neurológico após o evento é completamente normal, o que reforça o diagnóstico de um evento benigno. A conduta imediata para síncope neuromediada confirmada e sem achados de alerta é a alta do pronto atendimento com orientações preventivas. Isso inclui evitar os gatilhos conhecidos, manter boa hidratação, e realizar manobras de contrapressão (como cruzar as pernas ou apertar as mãos) ao sentir os pródromos. Investigações mais aprofundadas, como ecocardiograma ou teste de tolerância oral à glicose, não são indicadas na ausência de outros sinais de alerta.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais gatilhos para a síncope neuromediada em adolescentes?

Os gatilhos mais comuns incluem ortostatismo prolongado, ambientes quentes e lotados, estresse emocional, dor, desidratação e jejum. A competição de ficar parado em pé é um gatilho clássico.

Como diferenciar síncope neuromediada de síncope cardiogênica em adolescentes?

Síncope neuromediada geralmente tem pródromos (palidez, náuseas), gatilhos claros e recuperação rápida. Síncope cardiogênica é mais súbita, sem pródromos, pode ocorrer durante o exercício e tem maior risco de arritmias ou cardiopatias estruturais.

Qual a conduta imediata para um adolescente com síncope neuromediada?

A conduta imediata é tranquilizar o paciente, orientar sobre os gatilhos e medidas preventivas (hidratação, evitar ortostatismo prolongado, contramaneuveras) e, se o exame físico for normal, a alta do pronto atendimento.

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