Síncope em Idosos: Investigação e Manejo da Hipotensão Ortostática

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022

Enunciado

Roberto, 77 anos, é trazido pela filha Monique para a primeira consulta na Unidade Básica de Saúde. Ela relata que o pai, apesar da hipertensão e da hiperplasia da próstata, sempre foi extremamente independente, participando ativamente das atividades comunitárias. Entretanto, no último mês passou a se queixar de "tonteira" de manhã quando saía da cama, até que ela o viu desmaiar ao lado do sofá no dia anterior ao atendimento. Monique conta que o pai não se debateu e em poucos segundos já havia recobrado a consciência. No pronto-atendimento a tomografia não mostrou alterações e orientaram que a filha o trouxesse ao MFC para investigação. Exames laboratoriais e ECG do ano anterior estavam normais. O paciente refere remissão dos sintomas prostáticos com a introdução recente da doxazosina e traz medidas residenciais de pressão arterial (MRPA) confirmando bom controle pressórico. Em uso de: losartana 50mg/dia, hidroclorotiazida 25 mg/dia, sinvastatina 40mg/dia e doxazosina 2mg/dia. Ao exame não apresentava alterações à ectoscopia ou exame neurológico. Pressão em posição supina 120 x 88 mmHg (FC: 80), pressão em posição ortostática 118 x 77 mmHg, FC: 89 bpm; glicemia capilar periférica: 104. Pulso rítmico, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, abdomen indolor, sem massas ou aumento de vísceras. Diante do quadro, qual a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Solicitar ECG, laboratório com hemograma e TSH, suspender doxazosina.
  2. B) Solicitar Ecocardiograma, suspender hidroclorotiazida, orientar nova MRPA.
  3. C) Solicitar ECG, suspender losartana, orientar nova MRPA.
  4. D) Solicitar Ecocardiograma, suspender doxazosina, orientar nova MRPA.

Pérola Clínica

Síncope em idoso com polifarmácia e hipotensão postural: revisar medicações, especialmente alfa-bloqueadores (doxazosina) e diuréticos.

Resumo-Chave

Em idosos com síncope e tontura, especialmente em uso de múltiplos anti-hipertensivos, a hipotensão ortostática induzida por medicamentos é uma causa comum. A doxazosina, um alfa-bloqueador, é um forte contribuinte. A conduta inicial deve incluir a revisão e ajuste da medicação, além de investigação cardíaca e laboratorial.

Contexto Educacional

A síncope em idosos é uma queixa comum e multifatorial, com implicações significativas na qualidade de vida e risco de quedas. A hipotensão ortostática é uma das causas mais frequentes, muitas vezes precipitada pela polifarmácia e pela disfunção autonômica associada ao envelhecimento. A investigação deve incluir uma anamnese detalhada sobre os sintomas, medicamentos em uso e comorbidades, além de um exame físico completo com aferição da pressão arterial em diferentes posições. A doxazosina, um alfa-bloqueador usado para hiperplasia prostática benigna, é um potente vasodilatador que pode induzir ou agravar a hipotensão ortostática. A conduta inicial envolve a revisão e ajuste das medicações, priorizando a suspensão ou redução de fármacos que contribuem para a hipotensão. Exames complementares como ECG são essenciais para descartar causas cardíacas. A orientação sobre medidas não farmacológicas, como hidratação adequada e mudança postural lenta, também é crucial.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para hipotensão ortostática?

A hipotensão ortostática é definida como uma queda da pressão arterial sistólica de pelo menos 20 mmHg ou da pressão arterial diastólica de pelo menos 10 mmHg, dentro de três minutos após a mudança da posição supina para a ortostática.

Quais medicamentos comumente causam hipotensão ortostática em idosos?

Medicamentos que comumente causam hipotensão ortostática incluem alfa-bloqueadores (como doxazosina), diuréticos (como hidroclorotiazida), vasodilatadores, antidepressivos tricíclicos e alguns antipsicóticos.

Qual a importância de um ECG na investigação inicial de síncope em idosos?

Um eletrocardiograma (ECG) é fundamental na investigação inicial de síncope em idosos para identificar arritmias, bloqueios de condução ou outras alterações cardíacas que possam ser a causa da síncope, mesmo que um exame prévio tenha sido normal.

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