Síncope em Idosos: Avaliação Inicial e Conduta na Emergência

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 74a, veio ao Pronto Atendimento acompanhada pelo marido, que relatou que a paciente perdeu subitamente a consciência há três horas, quando ambos estavam assistindo televisão no sofá. O episódio durou dois minutos, e ela recobrou totalmente a consciência. No momento, a paciente está consciente, orientada, e relata apenas desconforto epigástrico leve. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes mellitus. Medicações em uso: losartana 25mg 12/12h, AAS 100mg/dia, metformina 850mg 3 vezes ao dia. Exame físico: PA= 156x98 mmHg, FC= 102 bpm, FR= 22 irpm, T= 36,6°C, glicemia capilar= 102mg/dl_; descorada +/4+; ausculta cardíaca, pulmonar e exame do abdome sem alterações; membros inferiores: edema +/4+ simétrico. A CONDUTA INICIAL NO SETOR DE EMERGÊNCIA É:

Alternativas

  1. A) Administrar captopril 25mg sublingual.
  2. B) Realizar tomografia de crânio com contraste arterial e venoso.
  3. C) Realizar eletrocardiograma
  4. D) Realizar tomografia de tórax com contraste.

Pérola Clínica

Síncope em idoso com comorbidades cardiovasculares → ECG é a conduta inicial prioritária para investigar causa cardíaca.

Resumo-Chave

A síncope, especialmente em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular, exige uma avaliação inicial rigorosa na emergência, com o eletrocardiograma (ECG) sendo a ferramenta diagnóstica mais importante e de primeira linha para identificar causas cardíacas potencialmente fatais, como arritmias ou doenças estruturais.

Contexto Educacional

A síncope, definida como uma perda súbita e transitória da consciência devido à hipoperfusão cerebral global, seguida de recuperação espontânea e completa, é uma queixa comum na emergência. Em pacientes idosos, a síncope é particularmente preocupante devido à maior prevalência de comorbidades cardiovasculares e ao risco aumentado de eventos adversos graves, incluindo morte súbita. A avaliação inicial visa identificar causas potencialmente fatais e estratificar o risco do paciente. A fisiopatologia da síncope envolve uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo cerebral. As causas podem ser reflexas (vasovagal, situacional), ortostáticas ou cardíacas. As causas cardíacas, como arritmias (bradiarritmias ou taquiarritmias) e doenças cardíacas estruturais (estenose aórtica, cardiomiopatia hipertrófica), são as mais perigosas e devem ser ativamente investigadas, especialmente em idosos com fatores de risco. O eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações é a ferramenta diagnóstica mais importante na avaliação inicial, pois pode revelar arritmias ou sinais de doença cardíaca subjacente. No setor de emergência, a conduta inicial para um paciente com síncope deve incluir uma história detalhada do episódio e dos antecedentes, exame físico completo e, crucialmente, a realização imediata de um ECG. Outras investigações complementares serão guiadas pelos achados iniciais e pela estratificação de risco. A identificação e o tratamento da causa subjacente são essenciais para prevenir recorrências e melhorar o prognóstico. O desconforto epigástrico leve relatado pela paciente pode ser um sintoma inespecífico ou pródromo, mas não deve desviar a atenção da investigação cardíaca prioritária.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do eletrocardiograma na avaliação inicial da síncope?

O ECG é crucial para identificar causas cardíacas de síncope, como bradiarritmias, taquiarritmias, bloqueios atrioventriculares, síndromes de QT longo/curto, Brugada ou evidências de isquemia miocárdica, que podem ser fatais se não diagnosticadas e tratadas.

Quais são os fatores de risco que aumentam a suspeita de síncope cardíaca?

Fatores de risco incluem idade avançada, história de doença cardíaca estrutural (ICC, valvopatias), doença arterial coronariana, diabetes, hipertensão, síncope durante o exercício ou em decúbito, e história familiar de morte súbita.

Além do ECG, quais outras investigações iniciais são importantes na síncope?

Após o ECG, outras investigações podem incluir monitorização cardíaca contínua, exames laboratoriais (hemograma, eletrólitos, glicemia, troponina se houver suspeita isquêmica), e, dependendo do contexto clínico, ecocardiograma ou tilt test.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo