HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Mulher de 32 anos de idade comparece ao ambulatório para investigação de quadro de dor epigástrica em queimação há 6 meses. Relata que a dor ocorre sobretudo após as refeições e que, nos últimos 3 meses, também passou a apresentar disfagia para alimentos sólidos, com sensação de que a comida "entala em seu peito". Nega comorbidades prévias ou uso de medicamentos. Ao exame, apresenta linfonodo palpável, maior que 1 centímetro, na região supraclavicular à esquerda. Sem outras alterações. Diante do quadro clínico, qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
Disfagia + linfonodo supraclavicular esquerdo (Virchow) → Sinal de alarme para neoplasia gastrointestinal, exige endoscopia.
A presença de disfagia para sólidos, especialmente em um paciente jovem, associada a um linfonodo supraclavicular esquerdo palpável (sinal de Virchow), é um forte indicativo de doença maligna avançada, provavelmente de origem gastrointestinal. Nesses casos, a endoscopia digestiva alta é a conduta prioritária para diagnóstico e estadiamento.
A dor epigástrica em queimação é um sintoma comum, frequentemente associado à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ou dispepsia funcional. No entanto, a presença de "sinais de alarme" concomitantes, como disfagia para sólidos e perda de peso, deve levantar a suspeita de condições mais graves, como neoplasias. A disfagia, em particular, é um sintoma preocupante que indica obstrução mecânica e requer investigação imediata, especialmente quando progressiva. A fisiopatologia da disfagia em neoplasias está relacionada ao crescimento tumoral que estreita a luz do órgão (esôfago ou estômago), dificultando a passagem do bolo alimentar. O achado de um linfonodo supraclavicular esquerdo palpável, conhecido como sinal de Virchow, é um marcador clássico de metástase de neoplasias abdominais ou torácicas, indicando doença avançada. Este sinal ocorre devido à drenagem linfática do ducto torácico para os linfonodos supraclaviculares esquerdos. Diante de um quadro clínico com dor epigástrica, disfagia para sólidos e, crucialmente, um sinal de Virchow, a conduta prioritária é a realização de uma endoscopia digestiva alta com biópsias. Esta investigação é essencial para identificar a lesão primária, confirmar a histologia e auxiliar no estadiamento da doença. Tratar empiricamente com inibidores de bomba de prótons ou apenas com mudanças dietéticas seria um erro grave, pois atrasaria o diagnóstico e o tratamento de uma condição potencialmente fatal.
Os principais sinais de alarme incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes e massa abdominal ou linfonodomegalia palpável.
O linfonodo supraclavicular esquerdo, conhecido como sinal de Virchow, é um achado clínico que sugere metástase de uma neoplasia primária, frequentemente localizada no abdome (como estômago, pâncreas ou ovário) ou tórax, devido à drenagem linfática.
A endoscopia digestiva alta permite a visualização direta da mucosa esofágica, gástrica e duodenal, possibilitando a identificação de lesões suspeitas e a realização de biópsias para confirmação histopatológica, sendo crucial para o diagnóstico de malignidade.
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