HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020
Uma paciente de 42 anos de idade é submetida a tireoidectomia total, em razão de nódulo, com punção aspirativa com agulha fina (PAAF) compatível com tumor indiferenciado de tireoide. No segundo dia pós-operatório, refere que, ao medir a pressão arterial, passou a apresentar espasmos na musculatura da mão. Acerca desse caso clínico, assinale a alternativa correspondente ao achado descrito pela paciente e aos cuidados que se devem ser seguidos.
Hipocalcemia pós-tireoidectomia → Sinal de Trousseau (espasmo carpopedal) → Solicitar cálcio e ECG.
O Sinal de Trousseau, um espasmo carpopedal induzido pela insuflação do manguito de pressão arterial, é um achado clássico de hipocalcemia, uma complicação comum após tireoidectomia total devido à lesão ou remoção inadvertida das glândulas paratireoides. A conduta imediata inclui a dosagem de cálcio sérico e a realização de um ECG para avaliar arritmias.
O Sinal de Trousseau é um achado clínico característico de hipocalcemia, manifestado como um espasmo carpopedal (flexão do punho e articulações metacarpofalângicas, extensão dos dedos) induzido pela insuflação de um manguito de pressão arterial acima da pressão sistólica por 3 a 5 minutos. É uma complicação comum e importante a ser monitorada após tireoidectomia total, devido ao risco de lesão ou remoção das glândulas paratireoides, que são responsáveis pela regulação do cálcio. A fisiopatologia da hipocalcemia pós-tireoidectomia decorre do hipoparatireoidismo, seja transitório ou permanente, causado por trauma cirúrgico, isquemia ou remoção inadvertida das paratireoides. A deficiência de paratormônio (PTH) leva à diminuição da reabsorção de cálcio nos rins e da liberação de cálcio dos ossos, além de prejudicar a ativação da vitamina D, resultando em baixos níveis de cálcio sérico. A hipocalcemia aumenta a excitabilidade neuromuscular, causando os espasmos e parestesias. A conduta para um paciente com suspeita de hipocalcemia, como evidenciado pelo Sinal de Trousseau, inclui a dosagem imediata do cálcio sérico (total e ionizado) e a realização de um eletrocardiograma (ECG) para avaliar a presença de prolongamento do intervalo QT, que pode predispor a arritmias. O tratamento envolve a reposição de cálcio, inicialmente intravenosa se sintomático, seguida por suplementação oral de cálcio e vitamina D, com monitoramento rigoroso dos níveis de cálcio.
A hipocalcemia pós-tireoidectomia é mais comumente causada por lesão, remoção inadvertida ou isquemia das glândulas paratireoides durante a cirurgia, resultando em hipoparatireoidismo transitório ou permanente.
Outros sinais incluem o Sinal de Chvostek (contração da musculatura facial ao percutir o nervo facial), parestesias periorais e nas extremidades, cãibras musculares, tetania e, em casos graves, convulsões e arritmias cardíacas.
O tratamento inicial para hipocalcemia sintomática é a reposição intravenosa de cálcio (geralmente gluconato de cálcio), seguida por suplementação oral de cálcio e vitamina D, se necessário, para manter os níveis séricos adequados.
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