Tromboflebite Migratória e Sinal de Trousseau na Oncologia

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Pode-se afirmar que a tromboflebite migratória ocorre mais frequentemente na neoplasia de:

Alternativas

  1. A) Estômago.
  2. B) Pâncreas.
  3. C) Esôfago.
  4. D) Cólon.

Pérola Clínica

Tromboflebite migratória (Sinal de Trousseau) → Altamente sugestivo de Neoplasia de Pâncreas.

Resumo-Chave

A tromboflebite migratória é uma síndrome paraneoplásica de hipercoagulabilidade associada a adenocarcinomas, classicamente o de pâncreas.

Contexto Educacional

A tromboflebite migratória é uma das síndromes paraneoplásicas mais emblemáticas da medicina interna. Descrita por Armand Trousseau (que ironicamente diagnosticou a si mesmo com a condição antes de falecer de câncer gástrico), ela reflete a complexa interação entre biologia tumoral e o sistema de coagulação. Embora associada a diversos adenocarcinomas (pulmão, estômago, cólon), sua correlação com o câncer de pâncreas (especialmente de corpo e cauda) é a mais cobrada em provas de residência. O reconhecimento clínico precoce dessa entidade é vital, pois pode ser a única pista para um tumor em estágio inicial ou ainda passível de tratamento paliativo direcionado. O manejo envolve a anticoagulação, preferencialmente com heparinas, e o tratamento da neoplasia de base.

Perguntas Frequentes

O que é o sinal de Trousseau na oncologia?

Na oncologia, o sinal de Trousseau refere-se à tromboflebite migratória, uma condição onde surgem episódios recorrentes de inflamação e trombose em veias superficiais em diferentes locais do corpo. É uma manifestação paraneoplásica de um estado de hipercoagulabilidade sistêmica, frequentemente precedendo o diagnóstico de uma neoplasia oculta, sendo o adenocarcinoma de pâncreas a associação mais clássica e específica descrita na literatura médica.

Qual a fisiopatologia da hipercoagulabilidade no câncer de pâncreas?

A associação entre câncer e trombose decorre da liberação de substâncias pró-coagulantes pelas células tumorais, como o fator tecidual e mucinas. No caso do pâncreas, as mucinas secretadas pelo adenocarcinoma podem interagir com selectinas, desencadeando a formação de microtrombos. Além disso, citocinas inflamatórias ativam o endotélio e plaquetas, exacerbando o estado pró-trombótico característico da síndrome de Trousseau.

Como diferenciar a tromboflebite migratória de uma trombose comum?

A tromboflebite migratória (Trousseau) caracteriza-se por ser superficial, recorrente e 'saltatória', aparecendo em um membro e depois em outro, muitas vezes em locais atípicos (como tronco ou braços). Diferente da trombose venosa profunda (TVP) isolada, ela resiste frequentemente ao tratamento convencional com varfarina, respondendo melhor à heparina de baixo peso molecular, e deve sempre motivar uma investigação exaustiva para neoplasias abdominais ocultas.

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