FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Lactente, 9 meses, foi levado para atendimento com quadro de conjuntivite há cerca de três dias. A mãe relatou que a criança também apresentava, há um dia, febre, recusa alimentar e hipoatividade. Por fim, ela informou que, no mesmo dia da busca por atendimento, surgiram bolhas na pele que “pareciam queimadura”. Ao exame físico, o pediatra de plantão notou que as bolhas se rompiam ao manuseio, mesmo em área perilesional. Esse achado observado pelo pediatra, no caso clínico, é denominado:
Descolamento epidérmico à pressão digital em pele perilesional = Sinal de Nikolsky positivo.
O sinal de Nikolsky indica clivagem intraepidérmica por perda de coesão entre os ceratinócitos. É um achado crítico na Síndrome da Pele Escaldada Estafilocócica (SSSS) e pênfigos.
A Síndrome da Pele Escaldada Estafilocócica (SSSS) é uma emergência dermatológica pediátrica. O quadro clínico geralmente começa com um foco infeccioso (conjuntivite, otite ou infecção de pele) seguido de eritrodermia dolorosa e formação de bolhas flácidas que se rompem facilmente, deixando áreas de 'carne viva' que lembram queimaduras. O reconhecimento do Sinal de Nikolsky é o divisor de águas no diagnóstico. Diferente da NET, que é induzida por drogas e envolve mucosas de forma grave, a SSSS é mediada por toxinas bacterianas e geralmente poupa as mucosas. O tratamento baseia-se em antibioticoterapia intravenosa contra S. aureus (como oxacilina) e suporte hidroeletrolítico, já que a barreira cutânea está comprometida.
O sinal de Nikolsky é um achado de exame físico dermatológico onde a pressão tangencial firme com o dedo sobre a pele aparentemente sã (geralmente perilesional) provoca o descolamento da camada superficial da epiderme. Ele indica uma fragilidade extrema na adesão intercelular (acantólise) ou na junção dermoepidérmica.
A Síndrome da Pele Escaldada Estafilocócica (SSSS) é causada por toxinas esfoliativas (A e B) produzidas por certas cepas de Staphylococcus aureus. Essas toxinas agem como proteases que clivam especificamente a desmogleína 1, uma proteína de adesão nos desmossomos da camada granulosa da epiderme, levando à formação de bolhas superficiais e ao sinal de Nikolsky positivo.
Além da SSSS, o sinal de Nikolsky é classicamente positivo no Pênfigo Vulgar e na Necrólise Epidérmica Tóxica (NET/Síndrome de Stevens-Johnson). Ele ajuda a diferenciar essas condições de outras doenças bolhosas subepidérmicas, como o Penfigoide Bolhoso, onde o sinal costuma ser negativo devido à clivagem ser mais profunda.
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