Colecistite Aguda: Sinal de Murphy e Diagnóstico Clínico

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 48 anos, sem comorbidades, vem a consulta ambulatoriał com queixa de dor em abdome superior, mais em epigástrio e hipocôndrio direito, com cerca de 3 meses de evoluçăo. Relaciona o sintoma com ingesta de allmentos gordurosos. Realizou ultrassonografia de abdome que demonstrou esteatose hepática moderada, colelitíase e colesterolose. Em relação a este caso clínico, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) Aumentos dos níveis séricos de fosfatase alcalina, bilirrubina e transaminase só ocorrem quando há obstrução da árvore biliar.
  2. B) Esta paciente pode ser tratada através da realização de colangiopancreatografia endoscópica retrógrada.
  3. C) A tomografia computadorizada de abdome com contraste endovenoso é o exame de eleiçăo para o diagnóstico das principais complicações desta doença.
  4. D) A cessaçăo voluntária da respiraçâo durante a inspiração, quando o examinador exerce constante pressão sob a margem costal direita, conheclda como sinal de Murphy, sugere colecistite aguda.
  5. E) Esta paciente pode ser tratada de maneira expectante com medidas de modificaçdo de hábito de vida, com restrição de alimentos hiperlipídicos, atividade física e terapia oral com sal biliar.

Pérola Clínica

Sinal de Murphy positivo → alta suspeita de colecistite aguda em paciente com colelitíase.

Resumo-Chave

O sinal de Murphy é um achado semiológico crucial para o diagnóstico de colecistite aguda, indicando inflamação da vesícula biliar. A dor em abdome superior pós-prandial gordurosa é típica de colelitíase sintomática, mas a presença de Murphy sugere complicação inflamatória.

Contexto Educacional

A colelitíase, ou presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição comum, muitas vezes assintomática. No entanto, pode manifestar-se como cólica biliar, uma dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, desencadeada por alimentos gordurosos. A importância clínica reside na sua capacidade de evoluir para complicações graves, como a colecistite aguda, pancreatite biliar ou colangite, sendo um tema frequente em provas de residência e crucial na prática médica. A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, complementado por achados de imagem. O sinal de Murphy, a interrupção da inspiração profunda durante a palpação do hipocôndrio direito, é um achado semiológico chave que indica inflamação vesicular e é fundamental para a suspeita diagnóstica. O tratamento da colecistite aguda é predominantemente cirúrgico, com a colecistectomia laparoscópica sendo o padrão-ouro, idealmente realizada nas primeiras 72 horas. O manejo expectante com medidas de estilo de vida é reservado para colelitíase assintomática ou cólica biliar, não sendo adequado para colecistite aguda. A compreensão das diferenças entre colelitíase sintomática e suas complicações é vital para a tomada de decisão terapêutica correta.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da colecistite aguda?

A colecistite aguda manifesta-se com dor intensa e persistente no quadrante superior direito do abdome, frequentemente irradiando para o ombro direito ou dorso, acompanhada de febre, náuseas, vômitos e sinal de Murphy positivo.

Qual o papel do sinal de Murphy no diagnóstico da colecistite aguda?

O sinal de Murphy é um achado clínico clássico e altamente sugestivo de colecistite aguda. Consiste na interrupção súbita da inspiração profunda quando o examinador palpa o hipocôndrio direito, devido à dor causada pela inflamação da vesícula biliar.

Como diferenciar colelitíase sintomática de colecistite aguda?

A colelitíase sintomática (cólica biliar) causa dor intermitente, geralmente pós-prandial, sem sinais inflamatórios sistêmicos ou sinal de Murphy. A colecistite aguda, por outro lado, apresenta dor persistente, febre, leucocitose e Murphy positivo, indicando inflamação da vesícula.

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