FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Mulher de 22 anos, hígida, queixa-se de dor abdominal contínua, em aperto, iniciada em região mesogástrica com posterior intensificação na fossa iliaca direita, sem outros sintomas associados, há 2 dias, sem melhora com o uso de analgésicos simples. Relata que pratica musculação em academia diariamente e que a dor se iniciou logo após um treino intenso. Nega queixas ginecológicas e cessou uso de anticoncepcional oral por conta própria há 2 meses, pois deseja engravidar. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, corada, FC = 72 bpm, PA = 110 x 60, Tax = 37°C. O abdome é plano, flácido, doloroso a palpação da fossa ilíaca direita e do hipogástrio, onde apresenta massa palpável, endurecida e imóvel, inclusive durante a elevação do tronco e contração da musculatura abdominal, além de descompressão brusca dolorosa. Assinale a alternativa correta:
Sinal de Fothergill (+) = massa abdominal palpável que permanece imóvel/visível com contração abdominal → sugere lesão da parede abdominal (ex: hematoma da bainha do reto).
O sinal de Fothergill é um achado clínico importante para diferenciar massas intra-abdominais de massas da parede abdominal. Se a massa permanece palpável ou se torna mais proeminente durante a contração da musculatura abdominal (ex: elevação da cabeça ou pernas), sugere uma origem na parede abdominal, como um hematoma da bainha do reto.
O diagnóstico diferencial da dor abdominal aguda é vasto e desafiador, especialmente em mulheres jovens. A questão aborda um cenário clássico de dor abdominal em uma paciente que pratica musculação, com um achado físico crucial: uma massa palpável que permanece imóvel durante a contração da musculatura abdominal, o que caracteriza o sinal de Fothergill. Este sinal é patognomônico de lesões da parede abdominal, sendo o hematoma da bainha do reto abdominal uma das principais hipóteses. A fisiopatologia do hematoma da bainha do reto envolve a ruptura dos vasos epigástricos (superiores ou inferiores) ou de seus ramos perfurantes, geralmente devido a trauma direto, tosse intensa, esforço físico excessivo, ou em pacientes anticoagulados. O sangramento ocorre dentro da bainha do músculo reto abdominal, formando uma massa que pode ser dolorosa e simular condições intra-abdominais agudas. O sinal de Fothergill ajuda a diferenciar essa condição de patologias como apendicite aguda, gravidez ectópica rota ou cisto ovariano torcido, que seriam massas intra-abdominais e, portanto, não seriam fixas ou mais proeminentes com a contração da parede. Para a prática e provas, é vital reconhecer o sinal de Fothergill e considerá-lo no diagnóstico diferencial da dor abdominal. A ultrassonografia ou a tomografia computadorizada podem confirmar o diagnóstico, mostrando a coleção de sangue na bainha do reto. O tratamento é geralmente conservador, com repouso e analgesia, embora casos raros de sangramento maciço possam exigir intervenção cirúrgica ou embolização. A história clínica detalhada, incluindo atividades físicas e uso de medicamentos, é fundamental para a suspeita diagnóstica.
O sinal de Fothergill é a presença de uma massa abdominal palpável que se torna mais proeminente ou permanece imóvel durante a contração da musculatura abdominal. Sua importância é diferenciar lesões da parede abdominal (como hematomas) de patologias intra-abdominais.
As causas incluem trauma direto, tosse intensa, vômitos, esforço físico excessivo (como musculação), anticoagulação e gravidez. A ruptura dos vasos epigástricos é a principal fonte do sangramento.
Embora ambos possam causar dor na fossa ilíaca direita, o hematoma da bainha do reto geralmente apresenta o sinal de Fothergill positivo, dor que piora com a contração abdominal e, frequentemente, história de trauma ou esforço. A apendicite tem migração da dor, febre e sinais inflamatórios sistêmicos mais proeminentes.
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