Sinal de Courvoisier-Terrier: Diagnóstico de Tumores Periampulares

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um homem de 79 anos é internado por icterícia obstrutiva, que se acentuou nos últimos dois meses. É tabagista de 1 maço/dia, há 40 anos. Nega febre. Relata apenas leve desconforto abdominal. Diz que perdeu 10 kg no período. No exame físico, não se nota linfonodomegalia, mas observa-se sinal de Courvoisier-Terrier. A localização mais provável da lesão deste paciente é:

Alternativas

  1. A) Ducto hepático comum.
  2. B) Região periampular.
  3. C) Confluência das vias biliares direita e esquerda.
  4. D) Corpo pancreático.

Pérola Clínica

Sinal de Courvoisier-Terrier + icterícia indolor + perda peso → tumor periampular (cabeça pâncreas).

Resumo-Chave

O sinal de Courvoisier-Terrier (vesícula biliar palpável e indolor em paciente ictérico) sugere obstrução biliar distal por uma massa maligna, geralmente na cabeça do pâncreas ou na região periampular. A icterícia indolor e a perda de peso reforçam a suspeita de malignidade.

Contexto Educacional

A icterícia obstrutiva é um achado clínico que exige investigação imediata, especialmente quando acompanhada de sinais de alarme. O caso apresentado descreve um cenário clássico de malignidade, com icterícia progressiva, perda de peso inexplicada, ausência de febre e, crucialmente, o sinal de Courvoisier-Terrier. Este sinal, caracterizado por uma vesícula biliar palpável, distendida e indolor em um paciente ictérico, é um forte indicativo de obstrução da via biliar distal por uma massa maligna, geralmente localizada na cabeça do pâncreas ou na região periampular. A fisiopatologia por trás do sinal de Courvoisier-Terrier reside no fato de que, em obstruções malignas distais ao ducto cístico, a vesícula biliar, que antes era saudável, pode se distender devido ao acúmulo de bile. Em contraste, em obstruções por cálculos, a vesícula biliar frequentemente apresenta fibrose crônica e não consegue se distender. A região periampular inclui a cabeça do pâncreas, a ampola de Vater, o duodeno e o ducto biliar distal. Tumores nessas localizações, como o adenocarcinoma de cabeça de pâncreas (o mais comum), colangiocarcinoma distal ou ampuloma, são as causas mais prováveis. O diagnóstico envolve exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, e frequentemente endoscopia com ultrassonografia endoscópica (USE) e biópsia para confirmação histopatológica. O manejo é complexo e pode incluir cirurgia (pancreaticoduodenectomia ou cirurgia de Whipple) ou terapias paliativas, dependendo do estágio da doença. Residentes devem estar aptos a reconhecer essa apresentação clínica e iniciar a investigação adequada.

Perguntas Frequentes

O que é o sinal de Courvoisier-Terrier e qual sua importância clínica?

É a presença de uma vesícula biliar palpável, distendida e geralmente indolor, acompanhada de icterícia. Sua importância é que sugere fortemente uma obstrução maligna da via biliar distal, como um tumor de cabeça de pâncreas ou periampular, e não por cálculos biliares.

Quais são as principais causas de icterícia obstrutiva indolor?

As principais causas de icterícia obstrutiva indolor são tumores malignos, como adenocarcinoma de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma distal, ampuloma e, menos frequentemente, tumores do duodeno. A ausência de dor é um forte indicativo de malignidade.

Por que o tabagismo é um fator de risco relevante neste caso?

O tabagismo é um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de adenocarcinoma de pâncreas, aumentando significativamente a chance de desenvolver a doença. A história de tabagismo pesado por muitos anos no paciente reforça a suspeita de malignidade.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo