Sinal de Courvoisier-Terrier na Icterícia Obstrutiva

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de sessenta e oito anos de idade, tabagista, procurou atendimento médico com quadro de colestase iniciado havia duas semanas. Apresentava icterícia, colúria, acolia e prurido generalizado, além de perda ponderal de 4 kg desde o início das queixas. No exame físico, constataram-se icterícia 3+/4+ e tumoração palpável arredondada e indolor, no quadrante superior direito do abdome. No que se refere a esse caso clínico, julgue o item subsecutivo. O paciente em questão apresenta o sinal de Curvosier-Terrier.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Vesícula palpável e indolor em paciente ictérico → Sinal de Courvoisier-Terrier → Neoplasia distal.

Resumo-Chave

O sinal de Courvoisier-Terrier sugere que a obstrução biliar é crônica e progressiva (neoplásica), permitindo a distensão da vesícula, ao contrário da colelitíase.

Contexto Educacional

A semiologia das icterícias é fundamental para o raciocínio clínico. O sinal de Courvoisier-Terrier baseia-se na lei de Courvoisier, que postula que a dilatação da vesícula na presença de icterícia raramente é causada por cálculos. Em pacientes idosos e tabagistas com perda ponderal, como no caso, a associação com neoplasia de pâncreas é altíssima, exigindo exames de imagem como TC de abdome com protocolo para pâncreas.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o sinal de Courvoisier-Terrier?

É a presença de uma vesícula biliar palpável, distendida e indolor em um paciente com icterícia obstrutiva. Diferente da obstrução por cálculos, onde a vesícula é frequentemente inflamada e fibrótica (não distensível), na obstrução neoplásica distal a pressão retrógrada causa dilatação indolor da parede vesicular.

Qual a principal suspeita diagnóstica diante deste sinal?

A principal suspeita é uma neoplasia periampular, sendo o adenocarcinoma de cabeça de pâncreas a causa mais comum. Outras possibilidades incluem tumor de ampola de Vater, colangiocarcinoma distal ou tumor de duodeno.

Por que a vesícula não costuma palpar na colelitíase?

Na colelitíase crônica, a vesícula biliar sofre processos repetidos de inflamação e cicatrização, tornando-se fibrótica, murcha e rígida. Assim, mesmo com a obstrução do ducto colédoco por um cálculo, a vesícula não consegue se expandir o suficiente para ser palpável ao exame físico.

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