INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um menino de 6 meses e 15 dias é trazido pela mãe em consulta de puericultura na unidade básica de saúde. A criança recusa papas sólidas e aceita apenas o leite materno. Revisando consultas anteriores, o médico de família e comunidade identifica que a mãe já havia demonstrado preocupação, pois a criança ainda não apresentava sorriso social, não observava a mãe nem olhava nos seus olhos enquanto mamava, não se interessava por outras crianças, não respondia a chamados e não apresentava nenhum tipo de lalação. Por isso, a criança foi encaminhada para investigação com um otorrinolaringologista, o qual não identificou nenhum déficit auditivo. A mãe, de 39 anos, apresentou diabetes gestacional. Diante desse quadro, a conduta do médico de família deve ser
Lactente >6m com ausência de sorriso social, contato visual e lalação → fortes sinais de alerta para TEA, requerendo referência especializada imediata.
A presença de múltiplos sinais de alerta no desenvolvimento de um lactente de 6 meses, como ausência de sorriso social, contato visual, interesse por outras crianças e lalação, mesmo com audição normal, indica a necessidade urgente de investigação especializada para transtorno do espectro autista (TEA) ou outros atrasos de desenvolvimento. A intervenção precoce é fundamental para melhores desfechos.
O acompanhamento do desenvolvimento infantil na puericultura é uma das responsabilidades mais importantes do médico de família e comunidade. A detecção precoce de atrasos no desenvolvimento, incluindo o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é fundamental para garantir a intervenção oportuna e otimizar o prognóstico da criança. O TEA é uma condição neurodesenvolvimental caracterizada por déficits persistentes na comunicação social e interação social, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Os sinais de alerta para TEA podem ser observados desde os primeiros meses de vida. Em lactentes, a ausência de marcos de desenvolvimento social, como sorriso social, contato visual recíproco, resposta ao nome, interesse em interagir com outras pessoas e a falta de lalação ou balbucio, são indicadores importantes. A presença de múltiplos desses sinais, especialmente após a exclusão de déficits sensoriais como a perda auditiva, deve levar a uma alta suspeita. Fatores de risco maternos, como diabetes gestacional, também podem estar associados a um risco aumentado de TEA. A conduta diante da suspeita de TEA deve ser a referência imediata para a atenção especializada. O médico de família, em colaboração com uma equipe multidisciplinar (neuropediatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo), deve coordenar a investigação diagnóstica e o planejamento terapêutico. A intervenção precoce, iniciada o mais cedo possível, é comprovadamente eficaz para melhorar os resultados de desenvolvimento e adaptação social da criança, reforçando a importância da vigilância ativa na atenção primária.
Em lactentes, sinais de alerta para TEA incluem ausência de sorriso social, pouco ou nenhum contato visual, falta de resposta ao nome, ausência de balbucio ou lalação, não apontar para objetos de interesse, e falta de interesse em interagir com outras crianças ou adultos. A persistência desses sinais requer investigação.
A intervenção precoce no TEA é crucial porque o cérebro da criança é mais plástico nos primeiros anos de vida, permitindo que as terapias tenham um impacto mais significativo no desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas e cognitivas. Isso pode melhorar a qualidade de vida e o prognóstico a longo prazo.
Diante da suspeita de TEA, o médico de família deve realizar uma avaliação inicial do desenvolvimento, descartar outras causas (como déficit auditivo) e, em seguida, referenciar a criança para uma equipe especializada (neuropediatra, psiquiatra infantil, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo) para uma avaliação diagnóstica aprofundada e planejamento terapêutico.
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