SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021
Cláudia, mãe de Manoel de 8 anos refere que seu filho tem tido muitas dores de cabeça. Elas já acontecem há 8 meses, mas estão mais frequentes há 2 meses. Manoel diz ter dor em região frontal, pulsátil, de duração aproximada de 2 horas. Cláudia diz que quando ele sente dor, vai para seu quarto para dormir e ultimamente tem apresentado vômitos associados à dor. Há 1 semana acordou duas vezes devido à dor. Cláudia preocupa-se com a possibilidade de o filho ter enxaqueca, tendo em vista que ela tem esse diagnóstico. Ao exame, Manoel apresentou-se bastante irritado e pouco cooperativo, sem outras alterações do exame neurológico. Em relação ao quadro de Manoel a conduta mais adequada seria:
Cefaleia em criança com sinais de alerta (vômitos, acordar pela dor, piora) → Investigação com imagem e neurologista.
Em crianças, a presença de sinais de alerta como cefaleia que acorda do sono, vômitos associados, aumento da frequência ou intensidade, ou alteração do exame neurológico, exige investigação mais aprofundada com neuroimagem para excluir causas secundárias graves, mesmo com história familiar de enxaqueca.
A cefaleia em crianças é uma queixa comum, e o desafio clínico reside em diferenciar as cefaleias primárias (como enxaqueca e cefaleia tensional) das secundárias, que podem indicar condições neurológicas graves. A enxaqueca pediátrica compartilha muitas características com a enxaqueca em adultos, incluindo dor pulsátil, unilateral (embora em crianças possa ser mais frontal ou bilateral), associada a náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. No entanto, a apresentação pode ser atípica, e a duração dos episódios pode ser mais curta. A história familiar é um fator de risco importante, mas não deve ser o único critério diagnóstico. A prevalência de cefaleia aumenta com a idade, sendo mais comum na adolescência. É crucial para o residente saber identificar os sinais de alerta que indicam a necessidade de uma investigação mais aprofundada. A fisiopatologia da enxaqueca envolve disfunção do sistema trigeminal e alterações neurovasculares. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (ICHD-3). O tratamento inclui medidas não farmacológicas, tratamento agudo da dor e profilaxia para casos frequentes ou incapacitantes. No entanto, a prioridade é sempre excluir causas secundárias antes de iniciar o tratamento da cefaleia primária. A presença de sinais de alerta como cefaleia que acorda a criança, vômitos inexplicados, alterações neurológicas, ou mudanças no padrão da dor, exige a realização de neuroimagem (ressonância magnética é preferível) e avaliação por um neurologista pediátrico. Ignorar esses sinais pode levar a atrasos no diagnóstico de condições potencialmente fatais, como tumores cerebrais, hidrocefalia ou malformações vasculares. Portanto, a conduta inicial deve ser sempre cautelosa e investigativa diante de qualquer 'red flag'.
Os sinais de alerta incluem cefaleia que acorda a criança do sono, vômitos associados não explicados, piora progressiva da dor, alteração do exame neurológico, idade < 3 anos, e cefaleia de início súbito e intensa (thunderclap headache).
A neuroimagem (tomografia ou ressonância) é indicada na presença de qualquer sinal de alerta, como alterações no exame neurológico, cefaleia progressiva, dor que acorda do sono, vômitos persistentes, ou mudanças no padrão da dor.
A história familiar de enxaqueca aumenta a probabilidade de cefaleia primária, mas não exclui a necessidade de investigação para causas secundárias se houver sinais de alerta. A presença de um familiar com enxaqueca pode ser um fator de risco, mas não um diagnóstico definitivo.
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