Dispepsia e Sinais de Alarme: Quando Indicar EDA Imediata?

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um homem de 35 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde com queixa de epigastralgia em queimação, há 4 semanas. Relata que, em geral, essa queimação se inicia entre uma e 3 horas após cada refeição e melhora com o uso de pastilhas de antiácido. Refere que a dor, em algum momento, já o despertou à noite e nega uso de medicamentos anti-inflamatórios. Relatou, ainda, perda ponderal e informou que, eventualmente, elimina fezes enegrecidas. É tabagista e consome 20 cigarros a cada dois dias. Comenta ser etilista eventual. O exame físico não revela alterações significativas, exceto palidez cutâneo-mucosa. Qual é a conduta imediata indicada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Solicitar exames parasitológicos de fezes, administrar bloqueadores de receptores H2, orientar cessação do tabagismo e do etilismo, e solicitar endoscopia digestiva alta, se os sintomas persistirem.
  2. B) Submeter o paciente a testes não invasivos para pesquisa de Helicobacter pylori e iniciar terapia empírica com antimicrobianos e inibidores de bomba de prótons, enquanto aguarda os resultados.
  3. C) Realizar endoscopia digestiva alta, com biópsias da mucosa gástrica e pesquisa de Helicobacter pylori, e instituir tratamento com antimicrobianos e inibidores de bomba de prótons, se confirmada presença de H. pylori.
  4. D) Submeter o paciente a testes não invasivos para Helicobacter pylori — se forem positivos, instituir tratamento específico, confirmar erradicação após tratamento e referenciar a especialista, se os sintomas persistirem.

Pérola Clínica

Dispepsia + sinais de alarme (perda de peso, melena, anemia) → Endoscopia Digestiva Alta (EDA) imediata.

Resumo-Chave

A presença de sinais de alarme em pacientes dispépticos obriga a realização de EDA para excluir neoplasias ou complicações de úlcera péptica antes de qualquer tratamento empírico.

Contexto Educacional

O manejo da dispepsia é dividido entre pacientes com e sem sinais de alarme. Em pacientes jovens e sem sinais de alerta, a estratégia 'test-and-treat' para H. pylori pode ser aceitável. Contudo, o paciente do caso apresenta perda ponderal, melena e palidez (sugerindo anemia), o que o enquadra no grupo de alto risco para patologias orgânicas graves. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é o padrão-ouro, permitindo avaliar a presença de úlceras gástricas ou duodenais, esofagite erosiva e, crucialmente, lesões neoplásicas. O tabagismo é um fator de risco adicional importante que agrava a doença ulcerosa e aumenta o risco de câncer. A conduta imediata deve ser diagnóstica, seguida pelo tratamento específico baseado nos achados endoscópicos e na presença do H. pylori.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme na dispepsia?

Os sinais de alarme incluem: idade superior a 45-55 anos (dependendo da diretriz), perda ponderal não intencional, anemia ferropriva, evidência de sangramento gastrointestinal (melena ou hematêmese), disfagia progressiva, vômitos persistentes e história familiar de câncer gástrico.

Por que não tratar empiricamente se houver sinais de alarme?

O tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) pode mascarar os sintomas de uma neoplasia gástrica ou de uma úlcera complicada, promovendo uma falsa sensação de melhora enquanto a doença de base progride. A EDA permite a visualização direta e a biópsia, essenciais para o diagnóstico definitivo.

Qual o papel do H. pylori na investigação da dispepsia?

O H. pylori é o principal agente etiológico de úlceras pépticas e um carcinógeno do grupo 1. Durante a EDA, a pesquisa da bactéria (por teste da urease ou histologia) é mandatória. Se positiva, a erradicação é necessária para a cura da úlcera e redução do risco de câncer gástrico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo