Dispepsia e Anemia: Quando Indicar Endoscopia Digestiva?

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente homem de 48 anos vai à consulta ambulatorial devido a quadro de queimação epigástrica diariamente, que piora após refeições e sem irradiação, vômitos ou sangramentos. Avaliado no pronto-socorro, recebeu prescrição de omeprazol 40 mg uma vez ao dia, em jejum, a qual faz uso há 4 semanas, com melhora parcial. Exames realizados no PS: Hb: 11,2 g/dl; VCM: 70 fl; HCM: 30 g/dL; Leucócitos: 7.000/mm³; Ureia: 40 mg/dL; Creatinina: 0,8 mg/dL; glicemia: 90 mg/dL. Apresenta dieta rica em produtos ultraprocessados. Pratica atividade física regular duas vezes por semana. Assinale a conduta mais adequada neste momento. 

Alternativas

  1. A) Aumentar a dose de omeprazol para 80 mg ao dia. 
  2. B) Manter prescrição de omeprazol 40 mg por mais 04 semanas e explicar que a melhora ocorre após 8 semanas de tratamento. 
  3. C) Prosseguir a investigação com endoscopia digestiva alta. 
  4. D) Prescrever amoxicilina e levofloxacino por 10 dias na detecção de Helicobacter pylori.

Pérola Clínica

Dispepsia + anemia microcítica = SINAL DE ALARME. Sempre investigar com endoscopia digestiva alta.

Resumo-Chave

A presença de sintomas dispépticos persistentes, mesmo com uso de IBP, associada a sinais de anemia microcítica (VCM e HCM baixos) configura um sinal de alarme. Nesses casos, a investigação com endoscopia digestiva alta é mandatória para excluir causas graves como sangramento gastrointestinal oculto, úlceras ou neoplasias.

Contexto Educacional

A dispepsia é um sintoma comum, caracterizado por dor ou desconforto na região epigástrica, plenitude pós-prandial ou saciedade precoce. Embora muitas vezes seja funcional, é crucial identificar pacientes com 'sinais de alarme' que podem indicar uma doença orgânica grave, como úlcera péptica, esofagite grave ou neoplasia maligna. A presença de anemia microcítica, como no caso apresentado, é um desses sinais. A anemia microcítica e hipocrômica, com VCM e HCM reduzidos, é um forte indicativo de deficiência de ferro, que, em adultos, deve ser investigada para sangramento gastrointestinal crônico. A associação de dispepsia e anemia ferropriva exige uma investigação imediata do trato gastrointestinal superior. A falha no tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) por um período adequado (geralmente 4-8 semanas) também é um fator que direciona para a necessidade de investigação. Nesse cenário, a conduta mais adequada é prosseguir a investigação com endoscopia digestiva alta. Este procedimento permite a visualização direta da mucosa esofágica, gástrica e duodenal, a identificação de lesões (úlceras, tumores, esofagite) e a realização de biópsias para histopatologia e pesquisa de Helicobacter pylori. A endoscopia é fundamental para um diagnóstico preciso e para guiar o tratamento definitivo, evitando o atraso no diagnóstico de condições potencialmente graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme na dispepsia que justificam uma investigação mais aprofundada?

Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, disfagia, odinofagia, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena, anemia ferropriva), massa abdominal palpável e história familiar de câncer gástrico.

Por que a anemia microcítica é um sinal de alarme importante em pacientes com dispepsia?

A anemia microcítica, especialmente a ferropriva, sugere sangramento gastrointestinal crônico e oculto. Em pacientes com dispepsia, isso pode indicar úlceras, esofagite erosiva grave ou, mais preocupantemente, neoplasias do trato gastrointestinal superior, exigindo endoscopia.

Quando a endoscopia digestiva alta é indicada em pacientes com dispepsia?

A endoscopia é indicada em pacientes com dispepsia que apresentam sinais de alarme, idade acima de 60 anos (ou 50 em algumas diretrizes) no início dos sintomas, ou falha terapêutica após um período adequado de tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP).

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