Dengue: Sinais de Alarme e Critérios de Internação

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024

Enunciado

Escolar de oito anos apresentou, há sete dias, quadro de febre elevada (t.ax.: 39°C), cefaleia, hiperemia conjuntival e mialgia, tendo sido levado à emergência. Exame físico naquela data: t.ax.: 38,9°C, FR: 48irpm, FC: 110bpm, PA: 110 X 75mmHg. Exames laboratoriais: Hb: 12,5g/dl, Ht: 34%, leucócitos: 7.700/mm³, linfócitos: 35% e plaquetas: 190.000/mm³. Foi liberado com prescrição de hidratação oral e antitérmicos. Três dias depois, retornou à emergência, afebril, prostrado, com vômitos persistentes e dor abdominal. Exame físico: t.ax.: 36,2°C, FR: 52irpm, FC: 120bpm, PA: 85 X 55mmHg. Exames laboratoriais: Hb: 12g/dl, Ht: 36%, leucócitos: 4.200/mm³, linfócitos: 30% e plaquetas: 110.000/mm³. Considerando a hipótese diagnóstica de dengue, qual o dado, dentre os descritos, que indica a internação imediata deste paciente?

Alternativas

  1. A) Hipotermia.
  2. B) Leucopenia.
  3. C) Dor abdominal.
  4. D) Plaquetopenia.
  5. E) Hemoconcentração.

Pérola Clínica

Dengue: Dor abdominal intensa/persistente, vômitos persistentes, hipotensão, hemoconcentração → sinais de alarme para internação imediata.

Resumo-Chave

A dengue pode evoluir para formas graves, e a identificação precoce dos sinais de alarme é crucial para evitar complicações. A dor abdominal intensa e persistente, vômitos persistentes, hipotensão e hemoconcentração são indicadores de gravidade que exigem internação imediata para monitoramento e manejo adequado, prevenindo o choque por extravasamento plasmático.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas até quadros graves com choque e óbito. É fundamental que estudantes e profissionais de medicina, especialmente residentes, saibam identificar precocemente os sinais de alarme que indicam a progressão para a forma grave da doença. A fase crítica da dengue geralmente ocorre após a defervescência, entre o 3º e o 7º dia da doença, quando o extravasamento plasmático pode levar ao choque. A fisiopatologia da dengue grave envolve o aumento da permeabilidade vascular, levando ao extravasamento de plasma para o espaço extravascular, resultando em hemoconcentração e, se não tratada, choque hipovolêmico. Os sinais de alarme, como dor abdominal intensa e persistente, vômitos persistentes, hipotensão, acúmulo de líquidos e sangramentos, são indicadores de que o paciente está entrando na fase crítica e necessita de internação imediata para monitoramento rigoroso e hidratação venosa. O tratamento da dengue é principalmente de suporte, com foco na hidratação adequada para compensar o extravasamento plasmático. A internação permite um monitoramento contínuo dos sinais vitais, balanço hídrico e exames laboratoriais (hematócrito, plaquetas), ajustando a terapia conforme a evolução do paciente. A identificação e manejo rápidos dos sinais de alarme são cruciais para prevenir o choque e reduzir a mortalidade associada à dengue grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue que indicam internação?

Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, e aumento progressivo do hematócrito concomitante com queda das plaquetas.

Por que a dor abdominal é um sinal de alarme importante na dengue?

A dor abdominal intensa e persistente é um sinal de alarme crítico porque pode indicar extravasamento plasmático significativo, com acúmulo de líquidos na cavidade abdominal (ascite) ou inflamação de órgãos, podendo preceder o choque.

Qual a importância da hemoconcentração na avaliação da dengue?

A hemoconcentração (aumento do hematócrito) é um indicador direto de extravasamento plasmático, que é a principal característica fisiopatológica da dengue grave. Um aumento de 20% ou mais no hematócrito em relação ao basal ou ao valor de referência é um sinal de alarme que exige hidratação venosa vigorosa e monitoramento.

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