SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Adolescente de 13 anos, sexo masculino, portador de anemia falciforme, há 4 dias apresenta febre, mialgia, cefaléia, hiporexia, náuseas e vômitos persistentes. Ao exame: hipocorado (+/4+), eupneico, acianótico, desidratado. Ausculta cardíaca e pulmonar fisiológicas, abdome doloroso à palpação em epigastro, presença de petéquias em antebraço. Pa: 110 x 80mmhg, fc=96bpm, prova do laço positiva. Diante desse quadro, considera-se sinal de alarme
Anemia falciforme + vômitos persistentes = sinal de alarme grave, risco de desidratação e crise.
Em pacientes com anemia falciforme, vômitos persistentes são um sinal de alarme crítico, pois podem levar rapidamente à desidratação e precipitar ou agravar crises vaso-oclusivas, além de dificultar a administração de medicamentos orais. A avaliação e intervenção rápidas são essenciais.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária grave, caracterizada pela produção de hemoglobina S, que leva à falcização dos eritrócitos em condições de hipóxia, acidose ou desidratação. É uma das doenças genéticas mais comuns no Brasil, exigindo manejo contínuo e atenção a complicações agudas. O reconhecimento precoce de sinais de alarme é crucial para prevenir morbidade e mortalidade, especialmente em adolescentes e crianças. A fisiopatologia da anemia falciforme envolve a polimerização da hemoglobina S, deformando os eritrócitos e levando à oclusão de pequenos vasos sanguíneos, hemólise crônica e disfunção orgânica. Sinais como febre, mialgia e cefaleia são comuns em diversas infecções, mas em pacientes falciformes, a presença de petéquias e prova do laço positiva, como no caso, pode levantar suspeita de dengue, que agravaria o quadro. No entanto, vômitos persistentes são um sinal de alarme inespecífico, mas de grande impacto, pois a desidratação é um potente gatilho para a falcização e crises vaso-oclusivas. A conduta em casos de sinais de alarme deve ser imediata, com internação hospitalar para hidratação venosa, analgesia adequada e investigação da causa subjacente. A prevenção da desidratação é um pilar fundamental no manejo da anemia falciforme. A educação do paciente e da família sobre os sinais de alarme e a importância da busca por atendimento médico imediato são essenciais para um melhor prognóstico.
Os principais sinais de alarme incluem febre alta, dor intensa e refratária, palidez súbita, icterícia progressiva, dispneia, dor torácica, priapismo, alterações neurológicas, vômitos persistentes e sinais de infecção.
Vômitos persistentes podem levar rapidamente à desidratação, que é um fator precipitante de crises vaso-oclusivas e síndrome torácica aguda. Além disso, dificultam a administração de analgésicos e hidratação oral, essenciais no manejo da doença.
A desidratação aumenta a viscosidade sanguínea e a concentração de hemácias falcizadas, favorecendo a oclusão microvascular e precipitando crises de dor, síndrome torácica aguda e outras complicações graves da doença.
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