Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Uma menina com 14 anos de idade é atendida pelo médico, enquanto a mãe a aguarda na sala de espera. A menina quer orientação (e pede sigilo), para uso de método contraceptivo, pois está namorando e tendo relações sexuais com um rapaz de 17 anos. Estão felizes e a menina apresenta plena capacidade de entendimento e de decisão acerca de sua saúde. O médico deve, além de deixar todas as decisões escritas em prontuário
Adolescente com capacidade de entendimento tem direito ao sigilo médico em questões de saúde sexual, mesmo sem consentimento dos pais.
Em casos de adolescentes com plena capacidade de entendimento e decisão sobre sua saúde, o médico deve manter o sigilo profissional, especialmente em temas sensíveis como a saúde sexual e reprodutiva. A orientação e o apoio devem ser fornecidos diretamente à adolescente, garantindo sua autonomia e confiança na relação médico-paciente.
A consulta médica com adolescentes, especialmente em temas sensíveis como a saúde sexual e reprodutiva, exige uma compreensão aprofundada dos princípios éticos e legais que regem o sigilo e a autonomia. No Brasil, o Código de Ética Médica e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantem o direito à confidencialidade para adolescentes que demonstram capacidade de discernimento e entendimento sobre as implicações de suas decisões. Quando uma adolescente busca orientação sobre métodos contraceptivos e pede sigilo, o médico deve avaliar sua capacidade de entendimento. Se a adolescente demonstra plena capacidade de decisão, o sigilo deve ser mantido. Isso é fundamental para estabelecer uma relação de confiança, incentivar a busca por cuidados de saúde e prevenir gravidez indesejada e infecções sexualmente transmissíveis. A quebra do sigilo sem justificativa pode afastar o adolescente do sistema de saúde, expondo-o a riscos maiores. É crucial que o médico registre todas as orientações e decisões no prontuário, garantindo a documentação adequada do atendimento. O papel do profissional é educar, orientar e apoiar a adolescente em suas escolhas, assegurando que ela compreenda os riscos e benefícios envolvidos. A comunicação com os pais ou responsáveis só deve ocorrer com o consentimento do adolescente ou em situações de risco iminente, sempre priorizando o bem-estar e os direitos do menor.
A regra geral é que, se o adolescente demonstra plena capacidade de entendimento e decisão sobre sua saúde, o médico deve manter o sigilo profissional, especialmente em questões de saúde sexual e reprodutiva. A confidencialidade é crucial para construir confiança e incentivar a busca por cuidados.
O sigilo pode ser quebrado em situações de risco iminente à vida ou à integridade física do adolescente ou de terceiros, ou quando há suspeita de abuso. Nesses casos, a quebra do sigilo deve ser feita com cautela e visando a proteção do menor, preferencialmente com o conhecimento do adolescente.
A autonomia do adolescente é um princípio ético e legal que reconhece sua capacidade progressiva de tomar decisões sobre sua própria saúde. Respeitar essa autonomia, especialmente em temas como contracepção, fortalece a relação médico-paciente e promove a adesão ao tratamento e às orientações de saúde.
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