Sigilo Médico e Adolescentes: Ética e Confidencialidade

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Uma menina de 18 anos é levada ao pronto-socorro por queixa de náuseas, vômitos e dor epigástrica leve (desconforto). Não tem outras queixas e o exame físico é normal. A adolescente conta ao médico, reservadamente, que os sintomas apareceram após uso abusivo de álcool e cannabis (primeiro uso, voluntário), em uma festa. Depois de medicada, a menina apresenta melhora e é proposta alta. A mãe, que estava na área de espera, entra na sala de atendimento e pergunta ao médico qual é o diagnóstico do que aconteceu com a sua filha. O médico deve responder que

Alternativas

  1. A) a adolescente fez uso abusivo de álcool, o que é comum nessa idade e não tem problema maior.
  2. B) a menina realmente usou substância ilegal.
  3. C) a menina teve dor inespecífica (sindromicamente chamada de dispepsia), devendo ser seguida ambulatorialmente, apenas.
  4. D) não pode revelar nenhuma informação, em respeito ao sigilo médico.
  5. E) houve realmente uso de substância ilegal, orientar a mãe e acionar o serviço social.

Pérola Clínica

Sigilo médico → Direito do paciente, especialmente adolescente, mesmo frente aos pais, exceto risco iminente.

Resumo-Chave

O sigilo médico é um pilar da relação médico-paciente e se estende aos adolescentes, que têm direito à confidencialidade sobre informações de saúde, mesmo em relação aos pais, a menos que haja risco iminente à vida ou à saúde do paciente ou de terceiros.

Contexto Educacional

O sigilo médico é um princípio ético e legal fundamental que protege a privacidade das informações de saúde do paciente. Na prática pediátrica e da adolescência, a questão do sigilo pode ser complexa, pois envolve a autonomia crescente do jovem e o direito dos pais de participar das decisões de saúde de seus filhos. No entanto, a legislação e a ética médica modernas reconhecem a capacidade progressiva do adolescente de tomar decisões sobre sua própria saúde. A confidencialidade é essencial para construir uma relação de confiança entre o médico e o adolescente, incentivando-o a buscar atendimento e a discutir abertamente questões sensíveis, como uso de substâncias, saúde sexual e problemas de saúde mental, sem medo de retaliação ou julgamento dos pais. A quebra do sigilo sem consentimento do adolescente é uma violação ética, exceto em situações de risco grave e iminente à sua vida ou à de terceiros, onde a intervenção se torna prioritária. Nesses casos de risco, o médico deve tentar, primeiramente, convencer o adolescente a compartilhar a informação com os pais. Se isso não for possível e o risco persistir, a quebra do sigilo deve ser feita com cautela, informando o adolescente sobre a necessidade e os motivos. A comunicação clara e a busca por soluções que preservem ao máximo a autonomia do paciente são sempre a melhor abordagem.

Perguntas Frequentes

O médico pode revelar informações de saúde de um adolescente aos pais?

Não, o médico não pode revelar informações de saúde de um adolescente aos pais sem o consentimento do paciente, a menos que haja risco iminente à vida ou à saúde do adolescente ou de terceiros.

Qual a importância do sigilo médico na relação com adolescentes?

O sigilo médico é crucial para estabelecer confiança, encorajar o adolescente a buscar ajuda e discutir abertamente seus problemas de saúde, incluindo temas sensíveis como uso de substâncias e sexualidade.

Em que situações o sigilo médico pode ser quebrado?

O sigilo pode ser quebrado em casos de risco iminente à vida ou à saúde do paciente ou de terceiros, por dever legal (ex: notificação compulsória de doenças), ou com consentimento expresso do paciente.

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