Sífilis Terciária: Tratamento e Diagnóstico Sorológico

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2022

Enunciado

Em relação à sífilis, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A sífilis terciária deve ser tratada com Penicilina cristalina intravenosa.
  2. B) O VDRL pode permanecer em títulos baixos mesmo após o tratamento, caracterizando uma cicatriz sorológica.
  3. C) Todos os pacientes com AIDS devem ser testados para sífilis.
  4. D) O FTA-abs é um teste não treponêmico que se torna negativo após realizado o tratamento.

Pérola Clínica

Sífilis terciária (exceto neurossífilis) e latente tardia são tratadas com Penicilina Benzatina IM, não cristalina IV.

Resumo-Chave

A sífilis terciária, que não envolve o sistema nervoso central, e a sífilis latente tardia são tratadas com Penicilina Benzatina intramuscular, em doses semanais por três semanas. A Penicilina Cristalina intravenosa é reservada para neurossífilis e sífilis congênita.

Contexto Educacional

A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum, com diversas manifestações clínicas que evoluem em estágios. O tratamento adequado é crucial para prevenir complicações graves, especialmente nos estágios avançados. A Penicilina é a droga de escolha para todas as fases da sífilis, mas a via e o esquema posológico variam conforme o estágio da doença e o envolvimento de sistemas específicos. A sífilis terciária, que pode envolver o sistema cardiovascular (sífilis cardiovascular) ou formar gomas, e a sífilis latente tardia (com duração desconhecida ou > 1 ano) são tratadas com Penicilina Benzatina intramuscular, em três doses semanais. A Penicilina Cristalina intravenosa é reservada para casos de neurossífilis, devido à sua melhor penetração no sistema nervoso central, e para sífilis congênita. A interpretação dos testes sorológicos é fundamental: o VDRL (não treponêmico) pode indicar atividade da doença e seus títulos caem com o tratamento, podendo permanecer como cicatriz sorológica. Já o FTA-abs (treponêmico) geralmente permanece reagente por toda a vida, confirmando a exposição prévia. A coinfecção por HIV e sífilis é comum e exige atenção especial, pois a sífilis pode ter um curso mais agressivo em pacientes imunocomprometidos, com maior risco de neurossífilis e falha terapêutica. Por isso, a triagem para sífilis é recomendada para todos os pacientes com HIV. O acompanhamento sorológico pós-tratamento é essencial para avaliar a resposta terapêutica, com queda de pelo menos duas diluições no VDRL em 6-12 meses.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento padrão para sífilis terciária sem envolvimento do SNC?

O tratamento padrão é Penicilina Benzatina 2,4 milhões de UI, intramuscular, uma vez por semana, por três semanas consecutivas.

O que significa "cicatriz sorológica" no contexto da sífilis?

Cicatriz sorológica ocorre quando o VDRL (teste não treponêmico) permanece reagente em títulos baixos (ex: 1:1, 1:2, 1:4) mesmo após o tratamento adequado e cura clínica, indicando exposição prévia à sífilis.

Qual a diferença entre testes treponêmicos e não treponêmicos para sífilis?

Testes não treponêmicos (VDRL, RPR) detectam anticorpos contra lipídios liberados por células danificadas e treponemas, e seus títulos refletem a atividade da doença. Testes treponêmicos (FTA-abs, TPPA, ELISA) detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum e geralmente permanecem reagentes por toda a vida, mesmo após o tratamento.

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