Sífilis Terciária e a Pupila de Argyll Robertson

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008

Enunciado

Com relação à sífilis, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) O VDRL sérico permanece positivo em todas as fases da doença
  2. B) As manifestações oculares são mais comuns na sífilis primária
  3. C) O tratamento de escolha é com aminoglicosídeos de quarta geração nas fases secundária e terciária
  4. D) Na sífilis terciária podemos ter a presença de dissociação luz-perto

Pérola Clínica

Sífilis terciária → Pupila de Argyll Robertson = Acomoda, mas não reage à luz.

Resumo-Chave

A dissociação luz-perto é um sinal clássico de neurossífilis (sífilis terciária), caracterizada por pupilas que contraem ao esforço de convergência/acomodação, mas não respondem ao estímulo luminoso direto.

Contexto Educacional

A sífilis, causada pelo Treponema pallidum, é conhecida como 'a grande imitadora' devido à diversidade de suas manifestações clínicas. A fase primária é marcada pelo cancro duro; a secundária por exantemas e uveítes; e a terciária por gomas, alterações cardiovasculares e neurossífilis. A pupila de Argyll Robertson é um dos achados mais específicos da fase tardia. Além dela, a sífilis pode causar uveíte posterior, neurite óptica e vasculite retiniana em qualquer estágio após a fase primária. O tratamento correto é vital para prevenir a progressão dos danos neurológicos e a cegueira irreversível.

Perguntas Frequentes

O que é a pupila de Argyll Robertson?

A pupila de Argyll Robertson é uma alteração pupilar bilateral e assimétrica, onde as pupilas são pequenas (mióticas), irregulares e apresentam a 'dissociação luz-perto'. Isso significa que elas não se contraem quando expostas à luz, mas contraem normalmente quando o paciente foca em um objeto próximo (reflexo de acomodação). É um sinal clássico de neurossífilis, especificamente da Tabes Dorsalis.

Qual a fisiopatologia da dissociação luz-perto na sífilis?

Acredita-se que a lesão ocorra nas fibras que conectam o núcleo pré-tectal aos núcleos de Edinger-Westphal no mesencéfalo, poupando as fibras mais ventrais responsáveis pelo reflexo de acomodação. Assim, a via do reflexo fotomotor é interrompida, enquanto a via da sincinésia perto (acomodação, convergência e miose) permanece íntegra.

Como diagnosticar sífilis ocular e terciária?

O diagnóstico baseia-se na sorologia (testes não treponêmicos como VDRL e treponêmicos como FTA-ABS ou Teste Rápido) e, em casos de suspeita de neurossífilis, na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). Na sífilis terciária, o VDRL sérico pode ser negativo, mas o FTA-ABS raramente o é. A sífilis ocular é considerada uma manifestação de neurossífilis e deve ser tratada com Penicilina G Cristalina endovenosa.

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