Sífilis Terciária: Diagnóstico e Tratamento da Neurossífilis

PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2021

Enunciado

O Serviço de Atenção Domiciliar do município é acionado para realizar a avaliação inicial de um municípe de 68 anos , devido diagnóstico principal de Acidente Vascular Encefálico do tipo Isquêmico, caracterizado por hemiparesia grau II em dimídio E, Iabilidade emocional e períodos de confusão mental e de ansiedade. Exame físico mostrava alguns tubérculos cutâneos. Durante realização de exames sorológicos iniciais identificou-se um VDRL, positivo, com investigação subsequente mostrando um teste treponêmico positivo. Familiares informam apenas que o munícipe apresentava, na juventude, antecendente de promiscuidade sexual e que realizou tratamento para Gonorréia há cerca de 45 anos atrás - período este em que chegou a apresentar lesões cutâneas, inclusive em regiões palmares e plantares, cuja cessação ocorreu espontaneamente. Familiares informam ainda que o munícipe já vinha apresentando quadro progressivo de alterações comportamentais e de memória há alguns anos, embora nunca tivesse demonstrado sinais de ansiedade até o quadro vascular. Considerando as informações prestadas, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais pertinente no momento seria:

Alternativas

  1. A) Sífilis primária - administração, em condições seguras, de Penicilina Benzatina 2,4 milhões de UI.
  2. B) Sífilis secundária - administração, em condições seguras, de Penicilina Benzatina 2,4 milhões de UI.
  3. C) Sífilis secundária - administração semanal, em condições seguras, de Penicilina Benzatina 2,4 milhões de UI durante 02 semanas (total de 4,8 milhões de UI).
  4. D) Sífilis terciária - administração semanal, em condições seguras, de Penicilina Bnezatina 2,4 milhões de UI, durante 03 semanas (total de 7,2 milhões de UI).
  5. E) Resultado falso negativo para Sífilis - repetir sequência de exames em 28 dias.

Pérola Clínica

Sífilis com manifestações neurológicas/comportamentais e história > 1 ano → Sífilis Terciária/Neurossífilis = Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI/semana por 3 semanas.

Resumo-Chave

O quadro clínico de alterações comportamentais e de memória progressivas, associado a um AVE isquêmico e sorologia positiva para sífilis com história de infecção antiga, sugere fortemente sífilis terciária, especificamente neurossífilis. O tratamento padrão para sífilis terciária (incluindo neurossífilis) é Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI, IM, semanalmente por 3 semanas.

Contexto Educacional

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, que evolui em estágios se não tratada. A sífilis terciária é a fase mais tardia da doença, podendo surgir anos ou décadas após a infecção inicial, com manifestações graves que afetam múltiplos sistemas, como o neurológico (neurossífilis), cardiovascular e tegumentar (gomas). Sua importância clínica reside na gravidade das sequelas e na necessidade de um diagnóstico preciso. A fisiopatologia da sífilis terciária envolve a persistência do T. pallidum em diversos tecidos, levando a processos inflamatórios crônicos e lesões granulomatosas. O diagnóstico é baseado na história clínica (antecedentes de sífilis não tratada ou tratada inadequadamente), exame físico e sorologia. Testes não treponêmicos (VDRL, RPR) e treponêmicos (FTA-Abs, TPPA) são essenciais. Em casos de suspeita de neurossífilis, a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para confirmar o envolvimento do sistema nervoso central. O tratamento da sífilis terciária e da neurossífilis é feito com Penicilina Benzatina, que é altamente eficaz contra o T. pallidum. A dosagem e a duração do tratamento são específicas para cada estágio, sendo para a sífilis terciária e neurossífilis, 2,4 milhões de UI de Penicilina Benzatina IM, semanalmente, por 3 semanas. O acompanhamento sorológico pós-tratamento é crucial para avaliar a resposta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas da sífilis terciária?

A sífilis terciária pode se manifestar de diversas formas, incluindo neurossífilis (com alterações neurológicas, psiquiátricas, AVC), sífilis cardiovascular (aneurisma de aorta, aortite) e sífilis gomosa (lesões granulomatosas em pele, ossos, vísceras).

Como é feito o diagnóstico da neurossífilis?

O diagnóstico da neurossífilis é feito pela combinação de achados clínicos (sintomas neurológicos/psiquiátricos), sorologia positiva para sífilis (VDRL e teste treponêmico) e análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), que pode mostrar pleocitose, aumento de proteínas e VDRL reativo no LCR.

Qual o tratamento recomendado para sífilis terciária e neurossífilis?

O tratamento padrão para sífilis terciária, incluindo neurossífilis, é Penicilina Benzatina 2,4 milhões de UI, administrada por via intramuscular, uma vez por semana, durante três semanas consecutivas, totalizando 7,2 milhões de UI.

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