Sífilis Secundária: Diagnóstico e Manejo na Atenção Primária

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022

Enunciado

Mulher procura atendimento na UBS com queixa de manchas no corpo, não pruriginosas, principalmente em palmas das mãos e plantas dos pés, há uma semana. Refere nova parceria sexual há 3 meses. Nega uso de preservativo ou método contraceptivo e é alérgica a penicilina. Ao exame, presença de lesões papulosas eritemato-acastanhadas mais evidentes em região plantar e palmar.Indique o exame complementar diagnóstico específico, a ser solicitado.

Alternativas

Pérola Clínica

Lesões palmoplantares + nova parceria sexual = Sífilis Secundária (solicitar VDRL/Teste Treponêmico).

Resumo-Chave

A sífilis secundária manifesta-se com exantema morbiliforme e lesões palmoplantares (sifilides). O diagnóstico requer testes não treponêmicos (VDRL) para seguimento e treponêmicos para confirmação.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum, com fases clínicas distintas. A fase secundária reflete a disseminação hematogênica do treponema, apresentando-se frequentemente com lesões dermatológicas ricas em patógenos. O diagnóstico laboratorial baseia-se em fluxogramas que combinam testes treponêmicos e não treponêmicos. Na prática da Atenção Primária, a identificação precoce e o tratamento adequado são cruciais para interromper a cadeia de transmissão e prevenir complicações tardias, como a neurossífilis. O acompanhamento com VDRL trimestral é o padrão-ouro para verificar a eficácia terapêutica.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre testes treponêmicos e não treponêmicos?

Os testes não treponêmicos, como o VDRL e o RPR, detectam anticorpos contra antígenos cardiolipínicos e são úteis para triagem e monitoramento da resposta ao tratamento, pois seus títulos tendem a cair após a cura. Já os testes treponêmicos, como FTA-Abs, ELISA e testes rápidos, detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum. Eles costumam permanecer positivos pelo resto da vida (cicatriz sorológica) e são usados para confirmar o diagnóstico após um teste não treponêmico reagente ou como teste inicial em fluxogramas reversos.

Como manejar pacientes alérgicos à penicilina na sífilis?

A penicilina benzatina é o tratamento de escolha para sífilis. Em pacientes não gestantes com alergia confirmada, alternativas incluem a doxiciclina (100 mg VO 12/12h por 15 dias para sífilis recente ou 30 dias para tardia) ou ceftriaxona. No entanto, em gestantes, a dessensibilização com penicilina é obrigatória, pois é o único tratamento que atravessa a barreira placentária e trata o feto adequadamente, prevenindo a sífilis congênita.

Quais as principais manifestações da sífilis secundária?

A sífilis secundária ocorre semanas a meses após o cancro duro. Caracteriza-se por manifestações sistêmicas como micropoliadenopatia, febre e, classicamente, lesões cutâneo-mucosas. O exantema costuma ser simétrico, não pruriginoso, podendo ser máculo-papular (roséolas). As lesões palmoplantares (sifilides) são altamente sugestivas. Outras formas incluem condiloma plano em áreas de dobra e alopecia em clareira.

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