Sífilis e HIV: Abordagem em Casal Sorodiscordante

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024

Enunciado

Vem ao ambulatório um casal portando os seguintes exames: Ele − VDRL 1:48; anti-HIV positivo; HbsAG não-reagente. Ela − VDRL não-reagente; anti-HIV não-reagente; HbsAG não-reagente. O marido apresenta, ainda, lesões roseoliformes por todo o corpo; a esposa, porém, não apresenta sinais e nem quaisquer sintomas. A melhor abordagem nesse caso é tratar:

Alternativas

  1. A) a lues do marido e tranqüilizar a esposa por serem sorodiscordantes.
  2. B) a lues do marido e encaminhar o paciente ao infectologista.
  3. C) a lues do casal, avaliar marcadores imunológicos do marido e repetir, após seis meses de uso de preservativo.
  4. D) o anti-HIV do casal e solicitar mais exames para hepatite e lues. FAURGS – SBMFC – TEMFC – Primeira Edição Ordinária – 2004.

Pérola Clínica

Sífilis: VDRL reagente + lesões ativas → tratar o paciente afetado; parceiro soronegativo → aconselhamento e reteste.

Resumo-Chave

O marido apresenta sífilis secundária ativa (VDRL 1:48 e lesões roseoliformes) e coinfecção por HIV, necessitando de tratamento imediato para sífilis. A esposa, com VDRL não-reagente, não precisa de tratamento para sífilis no momento, mas deve ser orientada sobre prevenção e acompanhamento.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode apresentar diversas fases clínicas. A sífilis secundária, como no caso do marido, manifesta-se com lesões cutâneas disseminadas (roseoliformes, papulosas), linfadenopatia e sintomas sistêmicos. A coinfecção com HIV é comum e pode influenciar a história natural da sífilis, tornando o diagnóstico e o tratamento mais desafiadores. O diagnóstico da sífilis é feito por testes não treponêmicos (VDRL, RPR) e treponêmicos (FTA-Abs, TPPA). O VDRL reagente com titulação elevada, juntamente com as lesões clínicas, confirma a sífilis ativa. O tratamento é baseado em penicilina G benzatina, com doses e esquemas variando conforme a fase da doença. Para pacientes com HIV, a vigilância para neurosífilis é particularmente importante. No manejo de parceiros sexuais, a abordagem deve ser individualizada. Se o parceiro é soronegativo, como a esposa neste caso, não há indicação de tratamento imediato. No entanto, é fundamental oferecer aconselhamento sobre prevenção, uso de preservativos e a necessidade de retestagem em 3 e 6 meses para monitorar uma possível soroconversão, dado o risco de exposição.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas da sífilis secundária?

A sífilis secundária é caracterizada por lesões cutâneas (roseoliformes, papulosas, condiloma plano), linfadenopatia generalizada, febre, mal-estar e, ocasionalmente, alopecia.

Como é feito o tratamento da sífilis secundária?

O tratamento padrão para sífilis secundária é com Penicilina G Benzatina, em dose única intramuscular, ou em três doses semanais para sífilis latente tardia ou de duração indeterminada.

Qual a importância da coinfecção HIV na sífilis?

A coinfecção HIV pode alterar a apresentação clínica da sífilis, tornar a resposta ao tratamento mais lenta e aumentar o risco de neurosífilis, exigindo acompanhamento mais rigoroso.

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