UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022
Nuligesta, 24 anos, comparece para consulta na UBS apresentando lesões papulosas eritemato acastanhadas em tronco, genitália e membros, com acometimento da região plantar e palmar. Faz uso regular de contraceptivo oral combinado, mas não tem parceiro fixo. Ao ser questionada, informa que há 3 meses percebeu lesão única, indolor, na parte interna da vulva e pequena nodulação em virilha do mesmo lado. Informa que essa lesão persistiu por mais de 15 dias e que por isso agendou uma consulta, mas, como menstruou na data marcada, não compareceu para o atendimento. Ela conta que, logo depois, a lesão desapareceu espontaneamente e por isso acabou não retornando. No exame físico atual, não foram identificadas cicatrizes na região genital. Em relação ao caso dado, responda aos itens.[A] Qual o estágio clínico atual da doença e o agente etiológico responsável?[B] Atualmente, qual o medicamento e a posologia preconizados pelo Ministério da Saúde do Brasil?
Lesão anogenital indolor prévia + Sifilides palmoplantares = Sífilis secundária (T. pallidum).
A sífilis secundária surge após a disseminação hematogênica do Treponema pallidum, caracterizando-se por lesões cutâneo-mucosas polimorfas e simétricas.
A sífilis é uma infecção sistêmica causada pela espiroqueta Treponema pallidum. A fase secundária reflete a maior carga bacteriana no organismo, manifestando-se após o período de latência clínica que sucede o cancro primário. O reconhecimento das lesões palmoplantares é um marcador clínico clássico que deve elevar a suspeita diagnóstica imediatamente. O tratamento precoce é fundamental para interromper a cadeia de transmissão e prevenir a progressão para formas terciárias graves, como a neurossífilis ou complicações cardiovasculares. O monitoramento pós-tratamento deve ser feito com testes não treponêmicos (VDRL) trimestralmente.
O tratamento de escolha para sífilis primária, secundária e latente recente (até um ano de evolução) é a Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI, administrada em dose única por via intramuscular (1,2 milhão UI em cada glúteo). Este esquema é altamente eficaz devido à sensibilidade do Treponema pallidum à penicilina e à necessidade de manter níveis terapêuticos por um período prolongado, o que a formulação benzatina proporciona.
A sífilis primária é marcada pelo cancro duro, uma úlcera única e indolor no local da inoculação, geralmente acompanhada de linfadenopatia regional. Já a sífilis secundária ocorre por disseminação sistêmica, apresentando-se com exantema maculopapular generalizado (sifilides), classicamente envolvendo palmas e plantas, além de sintomas constitucionais como febre e mialgia.
Em pacientes não gestantes com alergia à penicilina, a alternativa recomendada pelo Ministério da Saúde é a Doxiciclina 100 mg, via oral, duas vezes ao dia, por 15 dias. Contudo, a penicilina continua sendo o padrão-ouro, e em gestantes, a dessensibilização é obrigatória, pois é o único tratamento que atravessa a barreira placentária e trata o feto efetivamente.
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