Sífilis Secundária: Diagnóstico e Tratamento com Penicilina

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 25 anos recebeu há 2 semanas tratamento para uretrite gonocócica, com sucesso. Atualmente, procura atendimento médico por estar há 2 dias com febre, mal-estar e lesões cutâneas eritematosas, máculas e pápulas, difusamente presentes no tórax, palma das mãos e planta dos pés, não pruriginosas e poliadenomegalia acometendo região cervical, axilas e inguinais. Não se lembra de ter apresentado ulceração na região genital, mas refere ter tido ulceração na mucosa oral que pensou ser uma afta. Resultado de exames sorológicos só estarão disponíveis em 72 horas. O médico opta por tratamento empírico baseado nos dados clínicos e de história. A conduta mais adequada é

Alternativas

  1. A) Doxiciclina 100 mg VO, 2x ao dia, por 1 semana.
  2. B) Penicilina benzatina 2,4 milhões U IM, dose única.
  3. C) Penicilina G benzatina 2,4 milhões U IM, 1x por semana, durante 3 semanas.
  4. D) Ceftriaxona 2 g EV ou IM, 1x por dia, durante 3 dias.
  5. E) Azitromicina 1 g VO no primeiro dia e, a seguir, 500 mg/dia por 14 dias.

Pérola Clínica

Rash maculopapular em tronco, palmas e plantas + poliadenomegalia + história de IST = Sífilis secundária → Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI IM, dose única.

Resumo-Chave

O quadro de exantema polimorfo, especialmente com acometimento palmoplantar, associado a linfadenopatia generalizada e história de lesão oral/genital prévia, é altamente sugestivo de sífilis secundária. O tratamento de escolha para sífilis recente (primária, secundária e latente recente) é uma dose única de Penicilina G Benzatina.

Contexto Educacional

A sífilis, causada pela espiroqueta Treponema pallidum, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) com manifestações clínicas divididas em estágios. A sífilis secundária representa a fase de disseminação hematogênica do treponema, ocorrendo semanas a meses após a infecção inicial (sífilis primária, marcada pelo cancro duro). O quadro clínico do secundarismo é rico e variado, sendo conhecido como 'a grande imitadora'. A manifestação mais característica é o exantema cutâneo polimorfo, tipicamente maculopapular, não pruriginoso, que classicamente acomete as palmas das mãos e as plantas dos pés. Outros achados incluem condiloma plano (lesões papulares úmidas em áreas de dobras), placas mucosas, alopecia em clareira e linfadenopatia generalizada, acompanhados de sintomas sistêmicos como febre e mal-estar. O diagnóstico é confirmado por testes sorológicos (treponêmicos e não treponêmicos), mas diante de um quadro clínico tão sugestivo, o tratamento empírico está indicado para evitar a progressão da doença e a transmissão. O tratamento de escolha para sífilis primária, secundária e latente recente (com menos de 1 ano de evolução) é a Penicilina G Benzatina, 2,4 milhões de unidades, via intramuscular, em dose única. O seguimento com VDRL quantitativo é mandatório para confirmar a cura.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas clássicas da sífilis secundária?

As manifestações incluem exantema maculopapular não pruriginoso, que frequentemente afeta palmas e plantas (roséola sifilítica); placas mucosas na boca ou genitais; condiloma plano em áreas úmidas; e linfadenopatia generalizada. Sintomas constitucionais como febre e mal-estar também são comuns.

Qual é a alternativa de tratamento para sífilis secundária em pacientes alérgicos à penicilina?

Para pacientes com alergia comprovada à penicilina (não grave), a alternativa é a Doxiciclina 100 mg, via oral, duas vezes ao dia, por 14 dias. Em gestantes alérgicas, a dessensibilização à penicilina é o procedimento de escolha, pois é o único tratamento comprovadamente eficaz para prevenir a sífilis congênita.

Como diferenciar o exantema da sífilis secundária de outras doenças exantemáticas?

O acometimento palmoplantar é um forte indicativo de sífilis secundária, embora também possa ocorrer em outras condições como a doença mão-pé-boca e a febre maculosa. A ausência de prurido, a presença de linfadenopatia generalizada e a história de lesão genital ou oral prévia (cancro duro) ajudam a diferenciar a sífilis de outras causas de exantema.

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