Sífilis Secundária: Diagnóstico, Tratamento e Monitoramento

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 27 anos, vem à Unidade Básica de Saúde, pois notou aparecimento, há 4 semanas, de máculas e pápulas em tronco, lesões eritematoescamosas palmo- -plantares, alopecia. Vem apresentando também febre, mal-estar, cefaleia e aumento de “ínguas” pelo corpo. Solicitados exames iniciais, com as seguintes alterações: FTA-Abs e VDRL reagentes. De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, deve-se:

Alternativas

  1. A) tratar, notificar e realizar monitoramento do tratamento. Seguimento com teste não treponêmico.
  2. B) tratar, notificar e realizar monitoramento do tratamento. Seguimento com teste treponêmico.
  3. C) tratar, notificar e realizar monitoramento do tratamento. Seguimento com teste treponêmico.
  4. D) tratar e realizar monitoramento do tratamento. Seguimento com teste não treponêmico. Por ser provável sífilis secundária, não é necessário notificar.
  5. E) tratar e notificar. Apenas realizar monitoramento do tratamento com teste treponêmico se não houver resolução completa dos sintomas.

Pérola Clínica

Lesões cutâneas disseminadas (incluindo palmo-plantares), alopecia, linfadenopatia + VDRL/FTA-Abs reagentes → Sífilis Secundária: tratar, notificar, monitorar com VDRL.

Resumo-Chave

A sífilis secundária é uma fase sistêmica da doença, caracterizada por manifestações cutâneas diversas (incluindo lesões palmo-plantares e alopecia), linfadenopatia e sintomas constitucionais. O diagnóstico é confirmado por testes treponêmicos (FTA-Abs) e não treponêmicos (VDRL), e o tratamento é seguido pelo monitoramento da queda dos títulos do VDRL.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria *Treponema pallidum*. A sífilis secundária representa a fase de disseminação sistêmica da bactéria, ocorrendo semanas a meses após o cancro primário. Sua importância clínica reside na diversidade de manifestações que podem mimetizar outras doenças, tornando o diagnóstico um desafio, e na necessidade de tratamento adequado para prevenir a progressão para fases mais graves, como a sífilis terciária e neurossífilis. É uma doença de notificação compulsória. A fisiopatologia da sífilis secundária envolve a disseminação hematogênica do *Treponema pallidum*, levando a uma resposta imune generalizada. As manifestações clínicas são variadas e podem incluir exantema maculopapular (frequentemente envolvendo palmas das mãos e plantas dos pés), alopecia em 'clareira', condiloma lata (lesões úmidas nas áreas genitais e perianais), linfadenopatia generalizada, febre, mal-estar, cefaleia e artralgia. O diagnóstico é confirmado pela positividade de testes treponêmicos (FTA-Abs, TPPA) e não treponêmicos (VDRL, RPR) com títulos elevados. O tratamento padrão para a sífilis secundária é a penicilina benzatina intramuscular. A dose e o esquema variam conforme a fase da doença. É fundamental notificar o caso às autoridades de saúde e realizar o monitoramento do tratamento com testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) a cada 3, 6 e 12 meses após o tratamento, buscando uma queda de pelo menos duas diluições. A falha na queda dos títulos ou o aumento deles pode indicar falha terapêutica ou reinfecção, necessitando de reavaliação e retratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas típicas da sífilis secundária?

A sífilis secundária é caracterizada por lesões cutâneas disseminadas (roséola sifilítica, lesões papuloescamosas, incluindo palmo-plantares), alopecia, condiloma lata, linfadenopatia generalizada, febre, mal-estar e cefaleia.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da sífilis secundária e qual a importância dos diferentes testes?

O diagnóstico é feito com testes treponêmicos (FTA-Abs, TPPA) que confirmam a exposição à bactéria, e testes não treponêmicos (VDRL, RPR) que indicam atividade da doença e são usados para monitorar a resposta ao tratamento.

Qual a importância do monitoramento do tratamento da sífilis e com qual teste ele é realizado?

O monitoramento é crucial para avaliar a eficácia do tratamento e identificar falhas terapêuticas ou reinfecções. É realizado com testes não treponêmicos (VDRL ou RPR), buscando uma queda de pelo menos duas diluições (ex: 1:32 para 1:8) em 6-12 meses.

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