SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
Mulher procura atendimento na UBS com queixa de manchas no corpo, não pruriginosas, principalmente em palmas das mãos e plantas dos pés, há uma semana. Refere nova parceria sexual há 3 meses. Nega uso de preservativo ou método contraceptivo e é alérgica a penicilina. Ao exame, presença de lesões papulosas eritemato-acastanhadas mais evidentes em região plantar e palmar.Indique a principal suspeita diagnóstica completa e seu estágio.
Lesões papulo-eritematosas em palmas e plantas + Sexo desprotegido = Sífilis Secundária.
A sífilis secundária representa a disseminação sistêmica do Treponema pallidum, manifestando-se classicamente com exantema maculopapular que atinge regiões palmoplantares.
A sífilis, causada pela espiroqueta Treponema pallidum, é conhecida como 'a grande imitadora' devido à diversidade de suas apresentações clínicas. O estágio secundário é o período de maior infectividade por via cutâneo-mucosa, pois as lesões são ricas em treponemas. O diagnóstico diferencial inclui pitiríase rósea, psoríase gutata, farmacodermias e outras exantemáticas virais. O acometimento palmoplantar é um divisor de águas clínico que deve sempre levantar a suspeita de sífilis. Além das manifestações cutâneas, a sífilis secundária pode apresentar comprometimento de outros órgãos, como hepatite sifilítica, glomerulonefrite e até meningite asséptica. Todo paciente diagnosticado com sífilis deve ser rastreado para outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, Hepatite B e C. O tratamento adequado interrompe a cadeia de transmissão e previne a progressão para as formas latentes e terciárias da doença, que podem causar danos neurológicos e cardiovasculares irreversíveis.
A sífilis secundária surge geralmente entre 6 semanas e 6 meses após a infecção inicial (e semanas após o desaparecimento do cancro duro). É a fase de disseminação hematogênica do Treponema pallidum. A manifestação mais comum é o exantema sifilítico, que começa como máculas eritematosas pálidas (roséolas) no tronco e evolui para lesões papulosas eritemato-acastanhadas. O sinal patognomônico mais importante é o acometimento das palmas das mãos e plantas dos pés. Outras manifestações incluem linfadenopatia generalizada, alopecia em 'clareira', condiloma plano em áreas de dobra e sintomas constitucionais como febre baixa e mal-estar.
Na sífilis secundária, a sensibilidade dos testes sorológicos é máxima (próxima a 100%). O diagnóstico requer a combinação de testes não treponêmicos (como o VDRL ou RPR) e testes treponêmicos (como o FTA-Abs ou testes rápidos). Os testes não treponêmicos são quantitativos e úteis para monitorar a resposta ao tratamento, mas podem apresentar o 'efeito prozona' na sífilis secundária devido aos títulos extremamente elevados de anticorpos, o que pode causar um resultado falso-negativo se a amostra não for diluída. Os testes treponêmicos confirmam a infecção, permanecendo positivos na maioria dos pacientes pelo resto da vida.
O tratamento de escolha para sífilis secundária é a Penicilina G Benzatina 2,4 milhões de UI, dose única. Em pacientes não gestantes e comprovadamente alérgicos à penicilina, a alternativa recomendada pelo Ministério da Saúde e CDC é a Doxiciclina 100 mg, via oral, duas vezes ao dia, por 15 dias. Outra opção é a Ceftriaxone, embora deva ser usada com cautela devido ao risco de sensibilidade cruzada. É fundamental ressaltar que, em gestantes alérgicas, a dessensibilização com penicilina é a única conduta aceitável, pois as alternativas não atravessam a barreira placentária de forma eficaz para tratar o feto e prevenir a sífilis congênita.
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