INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Um homem com 39 anos de idade, previamente hígido, é atendido em centro de saúde com lesão peniana, mal-estar e febre baixa há 5 dias. O paciente nega descarga uretral e nega lesões penianas prévias. Não tem parceira sexual estável, tendo relações sexuais desprotegidas com diferentes mulheres esporadicamente. Em seu exame físico, apresenta temperatura axilar = 37,8 °C e está corado, hidratado e anictérico. Há linfonodos axilares, epitrocleares e inguinais palpáveis, pequenos, fibroelásticos. Verifica-se lesão ulcerada e úmida em corpo peniano. O teste rápido para sífilis realizado no momento da consulta foi positivo. Não há relato de tratamento com antimicrobianos no último ano. Relata que, há cerca de 10 anos, ao tomar penicilina benzatina intramuscular para tratar faringite, teve dor no local da aplicação, sem lesões e com remissão espontânea. Nesse momento, qual é a conduta correta para esse paciente?
Sífilis primária (úlcera + teste rápido + linfonodos) → Penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM dose única.
O quadro clínico (úlcera peniana, linfonodomegalia, febre baixa) e o teste rápido positivo são compatíveis com sífilis primária ou secundária. A história de "alergia" à penicilina com dor local sem lesões não é uma contraindicação verdadeira, pois não sugere hipersensibilidade grave. A penicilina benzatina é o tratamento de escolha, e o VDRL é essencial para monitoramento.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria *Treponema pallidum*, com crescente incidência global. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir complicações graves e a transmissão. A apresentação clínica varia conforme o estágio, desde o cancro primário indolor até as manifestações sistêmicas da sífilis secundária, que incluem lesões cutâneas, linfonodomegalia e sintomas constitucionais. O diagnóstico é feito por testes treponêmicos (teste rápido, FTA-Abs) e não treponêmicos (VDRL, RPR). O teste rápido positivo indica contato prévio ou infecção ativa, enquanto o VDRL quantifica a atividade da doença e é usado para monitoramento pós-tratamento. A suspeita deve ser alta em pacientes com lesões genitais ulceradas e história de múltiplos parceiros sexuais desprotegidos. O tratamento de escolha para todas as fases da sífilis é a penicilina benzatina. Para sífilis primária, secundária e latente recente, uma dose única de 2,4 milhões UI IM é suficiente. É vital avaliar cuidadosamente a história de "alergia" à penicilina; muitas reações relatadas são na verdade efeitos adversos menores ou reações não alérgicas. A dor no local da injeção é um efeito esperado e não contraindica o uso da penicilina, que é o antibiótico mais eficaz e seguro para a sífilis.
A sífilis primária se manifesta com um cancro duro (úlcera indolor) no local da inoculação e linfonodomegalia regional. A sífilis secundária, que pode sobrepor-se à primária, apresenta lesões cutâneas mucocutâneas (roséola, condiloma plano), linfonodomegalia generalizada, febre baixa e mal-estar.
A penicilina benzatina é o tratamento de escolha para todas as fases da sífilis. Para sífilis primária, secundária e latente recente (<1 ano), a dose é de 2,4 milhões UI IM em dose única. Para sífilis latente tardia ou de duração ignorada, são 3 doses semanais.
É fundamental diferenciar reações alérgicas graves (anafilaxia, urticária generalizada) de efeitos adversos menores. Dor no local da aplicação de penicilina benzatina é comum e não contraindica seu uso. Em casos de alergia verdadeira, alternativas como doxiciclina podem ser consideradas, mas a penicilina é preferencial e a dessensibilização pode ser necessária.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo