Sífilis Primária: Diagnóstico e Manejo da Úlcera Genital

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente de 15 anos vem à consulta no pronto-socorro com história de ferida no pênis há 8 dias. Nega secreção e queixas urinárias. Sexualmente ativo, raramente usa preservativo. Seu exame físico é normal, exceto por uma lesão de aproximadamente 1 cm de diâmetro na face dorsal do pênis. Não há secreção na lesão ou sangramento, mas nota-se um leve endurecimento ao redor da úlcera, fundo liso e sem queixa de dor à palpação. Sem adenopatia inguinal. Sobre essa Doença Sexualmente Transmissível (DST), pode-se afirmar corretamente que

Alternativas

  1. A) se trata de uma úlcera causada pelo Haemophilus ducrey.
  2. B) a transmissão nessa fase é baixa por ser estágio inicial da infeçcão, aumentando gradativamente com o tempo.
  3. C) o teste de escolha são os ensaios imunoenzimáticos – Enzyme-linked Immunossorbent Assay (ELISA) e suas variações, pois permite monitorar a resposta ao tratamento.
  4. D) o teste de escolha para o diagnóstico dessa fase da doença é Venereal Disease Research Laboratory (VDRL), pois torna-se reagente durante a primeira semana do aparecimento da ulceração.
  5. E) se houver disponibilidade, realizar exame direto da lesão, seguido de testes sorológicos específicos e não específicos após 15 dias do aparecimento da lesão.

Pérola Clínica

Sífilis primária → úlcera genital indolor, endurecida, fundo limpo. Diagnóstico: campo escuro + sorologia após janela.

Resumo-Chave

A sífilis primária se manifesta como cancro duro, uma úlcera indolor e endurecida. O diagnóstico inicial ideal é o exame direto de campo escuro da lesão, que busca o Treponema pallidum. Testes sorológicos podem ser negativos na fase inicial devido à janela imunológica e devem ser repetidos.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, com alta prevalência global e importante impacto na saúde pública. A fase primária é caracterizada pelo surgimento do cancro duro, uma lesão ulcerada no local de inoculação da bactéria, tipicamente indolor, de fundo limpo e endurecido, que pode ser acompanhada de linfadenopatia regional não supurativa. O reconhecimento precoce é crucial para interromper a cadeia de transmissão e prevenir as fases mais avançadas da doença. O diagnóstico da sífilis primária baseia-se na clínica e em exames laboratoriais. O exame direto de campo escuro da lesão é o padrão-ouro, permitindo a visualização do Treponema pallidum. Testes sorológicos, como VDRL/RPR (não treponêmicos) e FTA-Abs/TPHA (treponêmicos), são importantes, mas podem apresentar resultados negativos na fase inicial devido à janela imunológica, necessitando de repetição após algumas semanas. A interpretação correta dos testes é fundamental para um diagnóstico preciso. O tratamento da sífilis primária é feito com penicilina benzatina, sendo altamente eficaz. A identificação e tratamento dos parceiros sexuais são essenciais para o controle da doença. A sífilis não tratada pode evoluir para fases secundária, latente e terciária, com complicações graves em múltiplos órgãos, incluindo o sistema nervoso central e cardiovascular. A educação sobre sexo seguro e o uso consistente de preservativos são medidas preventivas primárias.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da sífilis primária?

A sífilis primária se manifesta como uma úlcera genital única, indolor, de bordas elevadas e endurecidas, com fundo limpo, conhecida como cancro duro.

Qual o teste de escolha para o diagnóstico inicial da sífilis primária?

O teste de escolha inicial é o exame direto de campo escuro da lesão, que permite visualizar o Treponema pallidum. Testes sorológicos podem ser negativos na fase inicial.

Por que os testes sorológicos podem ser negativos na sífilis primária?

Os testes sorológicos podem ser negativos devido à janela imunológica, período em que o corpo ainda não produziu anticorpos detectáveis. Nesses casos, a sorologia deve ser repetida após 15-30 dias.

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