Sífilis Primária: Como Identificar e Tratar o Cancro Duro

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 24 anos procura atendimento médico relatando o surgimento de uma ferida no pênis há cerca de 12 dias. Ele relata que a lesão não dói, não coça e não apresenta secreção. Refere ter tido relação sexual desprotegida com uma nova parceira há aproximadamente três semanas. Ao exame físico, observa-se uma úlcera única, de aproximadamente 1,5 cm de diâmetro, localizada no sulco balanoprepucial, com bordas bem delimitadas e endurecidas à palpação (conforme exemplificado na imagem). O fundo da lesão é limpo e não há sinais de inflamação aguda local. Nota-se também a presença de linfonodomegalia inguinal bilateral, com gânglios de consistência elástica, móveis e indolores. Com base na imagem e no quadro clínico descrito, o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica de escolha são:

Alternativas

  1. A) Herpes genital; Aciclovir 400 mg, via oral, 3 vezes ao dia, por 7 dias.
  2. B) Linfogranuloma venéreo; Doxiciclina 100 mg, via oral, 2 vezes ao dia, por 21 dias.
  3. C) Cancro mole; Azitromicina 1 g, via oral, dose única.
  4. D) Sífilis primária; Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI, via intramuscular, dose única.

Pérola Clínica

Úlcera única, indolor, de base endurecida e fundo limpo + adenopatia indolor = Sífilis Primária (Cancro Duro).

Resumo-Chave

O cancro duro é a lesão patognomônica da sífilis primária. O tratamento padrão-ouro é a Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI, que garante níveis treponemicidas por tempo prolongado.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sistêmica causada pela espiroqueta Treponema pallidum. A fase primária surge após um período de incubação de 10 a 90 dias. O cancro duro representa a porta de entrada do patógeno e desaparece espontaneamente mesmo sem tratamento, o que muitas vezes retarda o diagnóstico. O diagnóstico é eminentemente clínico na presença da lesão característica, podendo ser confirmado por microscopia de campo escuro ou testes sorológicos (treponêmicos e não treponêmicos). Devido ao aumento epidemiológico da sífilis, a conduta imediata diante de uma úlcera suspeita é o tratamento empírico para sífilis e, dependendo do risco, cobertura para cancro mole, visando o controle da cadeia de transmissão.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar clinicamente a sífilis primária do cancro mole?

A diferenciação clínica é baseada nas características da úlcera e da dor. Na sífilis primária (cancro duro), a lesão é tipicamente única, indolor, com bordas bem delimitadas e base endurecida (cartilaginosa), apresentando fundo limpo. A adenopatia inguinal associada também é indolor e não fistuliza. Já no cancro mole (Haemophilus ducreyi), as lesões costumam ser múltiplas (por autoinoculação), extremamente dolorosas, com bordas irregulares, fundo sujo/purulento e base mole. A adenopatia no cancro mole é dolorosa e frequentemente evolui com supuração e fistulização por um único orifício (bubão).

Qual o tratamento recomendado para sífilis primária e latente recente?

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para ISTs, o tratamento de escolha para sífilis primária, secundária e latente recente (com menos de um ano de evolução) é a Penicilina G Benzatina na dose de 2,4 milhões de UI, administrada por via intramuscular em dose única (1,2 milhão de UI em cada glúteo). A penicilina benzatina é a única droga com eficácia documentada para curar a infecção e prevenir a transmissão vertical de forma confiável. Em casos de alergia à penicilina em pacientes não gestantes, a alternativa é a Doxiciclina 100 mg 12/12h por 15 dias.

Como deve ser feito o seguimento após o tratamento da sífilis?

O seguimento é realizado com testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) para monitorar a resposta imunológica. Para sífilis primária, o controle deve ser feito mensalmente em gestantes e trimestralmente em não gestantes (até o 12º mês). Considera-se resposta adequada a queda dos títulos em duas diluições (ex: de 1:32 para 1:8) em 3 a 6 meses para sífilis recente. É fundamental também tratar os parceiros sexuais, mesmo que assintomáticos, para evitar a reinfecção (efeito 'pingue-pongue'), tratando-os como sífilis latente de duração ignorada se não houver evidência clínica ou laboratorial.

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