MedEvo Simulado — Prova 2026
Juliana, 24 anos, sexualmente ativa, procura atendimento em unidade básica de saúde referindo o surgimento de uma ferida na região genital há cerca de 10 dias. Ao exame físico, o médico observa uma úlcera única localizada no pequeno lábio direito, com aproximadamente 1,5 cm de diâmetro, fundo limpo, bordas endurecidas e completamente indolor à palpação. Nota-se também a presença de linfonodopatia inguinal bilateral, com gânglios de consistência elástica e indolores. A paciente nega febre ou outros sintomas sistêmicos. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta terapêutica mais adequada é:
Úlcera única + indolor + base limpa + borda endurecida = Sífilis Primária → Penicilina Benzatina 2,4M UI (IM) dose única.
O quadro de cancro duro é patognomônico da sífilis primária. O tratamento de escolha é a penicilina benzatina em dose única, visando interromper a cadeia de transmissão e curar a infecção precocemente.
A sífilis é uma infecção sistêmica causada pela espiroqueta Treponema pallidum. O estágio primário é marcado pelo cancro duro, que é uma porta de entrada para a disseminação hematogênica do patógeno. O diagnóstico diferencial de úlceras genitais inclui o cancroide (doloroso, base suja), herpes simples (vesículas agrupadas, dolorosas) e linfogranuloma venéreo. Na prática clínica e em provas, a descrição de uma úlcera indolor com bordas endurecidas deve levar imediatamente à suspeita de sífilis. O tratamento imediato com penicilina benzatina é crucial para o controle epidemiológico, e a notificação compulsória é obrigatória.
O cancro duro é a lesão característica da sífilis primária. Manifesta-se como uma úlcera geralmente única, indolor, com base limpa (sem exsudato purulento) e bordas endurecidas (daí o nome 'duro'). Surge no local de inoculação do Treponema pallidum após um período de incubação de 10 a 90 dias. Frequentemente acompanha-se de linfonodopatia inguinal bilateral, que também é indolor e não fistuliza. A lesão tende a desaparecer espontaneamente em algumas semanas, mesmo sem tratamento, o que pode levar o paciente a negligenciar a doença.
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, o tratamento de escolha para sífilis primária, secundária ou latente recente (com menos de um ano de evolução) é a Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI, administrada por via intramuscular em dose única (1,2 milhão UI em cada glúteo). Esta dose é suficiente para manter níveis treponemicidas por mais de duas semanas, garantindo a cura na maioria dos casos imunocompetentes.
Em pacientes não gestantes com alergia comprovada à penicilina, a alternativa recomendada é a Doxiciclina 100 mg, via oral, duas vezes ao dia, por 15 dias. No entanto, é importante ressaltar que a penicilina é o único tratamento eficaz para prevenir a sífilis congênita; portanto, em gestantes alérgicas, a dessensibilização em ambiente hospitalar é obrigatória para que possam ser tratadas adequadamente com penicilina benzatina.
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