SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Homem, 27 anos, estudante, refere ferida no pênis há sete dias. Nega dor local e outras queixas. Vida sexual ativa, sem parceira fixa e com uso irregular de preservativo. Ao exame, observa-se lesão ulcerada na glande, única, indolor ao ser tocada com pinça, endurecida e sem secreção. Linfonodos inguínais pequenos, indolores e fibroelásticos palpáveis. Não há nenhum exame disponível na unidade para diagnóstico. Considerando a provável hipótese diagnóstica, qual tratamento empírico é recomendado?
Úlcera genital indolor, endurecida + linfonodos indolores → Sífilis primária. Tratamento empírico: Penicilina G Benzatina + Azitromicina (para cancroide).
A descrição da úlcera (indolor, endurecida, única) e dos linfonodos (indolores, fibroelásticos) é altamente sugestiva de sífilis primária (cancro duro). O tratamento empírico deve cobrir sífilis e, idealmente, outras causas comuns de úlcera genital, como cancroide, especialmente na ausência de exames.
As úlceras genitais são manifestações comuns de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e representam um desafio diagnóstico na prática clínica, especialmente em locais com recursos limitados. A anamnese detalhada e o exame físico cuidadoso são cruciais para guiar a hipótese diagnóstica. A sífilis primária, causada pelo Treponema pallidum, é caracterizada pelo cancro duro, uma úlcera tipicamente única, indolor, de base endurecida e bordas elevadas, frequentemente acompanhada por linfadenopatia inguinal bilateral, indolor e fibroelástica. Outras causas importantes de úlceras genitais incluem o cancroide (Haemophilus ducreyi), que causa úlceras múltiplas, dolorosas, com bordas irregulares e linfadenopatia supurativa; o herpes genital (vírus herpes simplex), com vesículas que evoluem para úlceras dolorosas e múltiplas; e o linfogranuloma venéreo (Chlamydia trachomatis), que inicialmente causa uma pequena úlcera transitória, seguida por linfadenopatia inguinal supurativa e dolorosa (bubão). Na ausência de exames diagnósticos imediatos, o tratamento empírico é fundamental para evitar a progressão da doença e a transmissão. Para úlceras genitais, a abordagem sindrômica recomenda cobrir as etiologias mais prevalentes. A sífilis primária é tratada com Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única. Para cobrir o cancroide, que também é comum, a Azitromicina 1g VO em dose única é uma opção eficaz. Essa combinação garante cobertura para as principais causas de úlcera genital, minimizando a morbidade e a cadeia de transmissão.
O cancro duro é uma úlcera genital única, indolor, de bordas elevadas e endurecidas, com fundo limpo. Frequentemente acompanhada por linfadenopatia inguinal indolor e fibroelástica.
A penicilina benzatina é o tratamento de escolha devido à sua alta eficácia, baixo custo, facilidade de administração (dose única para sífilis primária) e ausência de resistência documentada do Treponema pallidum.
O tratamento empírico deve cobrir as causas mais comuns: sífilis (Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI IM dose única) e cancroide (Azitromicina 1g VO dose única ou Ceftriaxona 250mg IM dose única).
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